Denúncia

Bebê morre horas após o parto e família denuncia hospital em Porangatu

Bebê morre horas após o parto e família denuncia hospital em Porangatu. Foto/Rede Serra Azul

Família denuncia possível negligência médica; Polícia Civil investiga o caso.

Por Thaís Alcântara

O que deveria ser um momento de felicidade terminou em tragédia para a família da pequena Aylla, que morreu horas após o parto na última segunda-feira (17), em Porangatu, no norte de Goiás. A família acusa a equipe médica de negligência. A empresa responsável pela gestão da unidade não se manifestou. O caso é investigado pela Polícia Civil.

Segundo relato dos familiares à Rede Serra Azul, a gestante, de 22 anos, deu entrada no hospital no sábado (15), foi atendida e liberada. No domingo (16), retornou com dores intensas, recebeu atendimento e novamente foi liberada. Mais tarde, já acompanhada da mãe e do esposo, ela voltou ao hospital e a família insistiu para que fosse internada.

“Chegou a um ponto que não tinha como ficar mais com ela em casa, porque era muito sangramento, a criança dura dentro da barriga… não tinha como ficar com ela em casa, eu tinha que ir para o hospital.” Descreveu Marcos Vinicius, pai da criança.

De acordo com a família, Patrícia foi internada ainda no domingo. Ela teria recebido alta por volta das 2h da madrugada de segunda-feira (17). A paciente ligou para o esposo, que pediu que ela permanecesse em observação. Horas depois, entrou em trabalho de parto.

Lucineide Silva contou que, já na madrugada, a filha continuava com muitas dores. Por volta de 3h, a gestante pediu para chamar o médico.

“Ela falou: ‘Mãe, chama o médico, eu não aguento mais’. Aí o médico veio, fez o toque e falou que já estava na hora [do parto]. Ele ligou para o obstetra, e quando o médico chegou à unidade já era mais de 4 horas. Nós entramos para a sala de parto às 4h30, e a bebê nasceu cerca de 50 minutos depois. Eu estava lá dentro, eu vi tudo.”

Abalada, Lucineide relatou que chegou a despedir da neta. “Eles precisaram reanimar. Na hora que eu entrei, peguei na mãozinha dela. E o médico falou: ‘Dê a bênção para sua neta, que sua neta está indo embora’.”

A bebê foi reanimada, colocada em uma incubadora, mas não resistiu e morreu horas após o nascimento. O sepultamento ocorreu na manhã de terça-feira (18), no Cemitério Divino Espírito Santo, em Porangatu. A família também afirma que a mãe da criança teve de deixar o hospital sem qualquer apoio de transporte.

“Ela tinha acabado de fazer uma cesárea, tinha acabado de perder a filha, e não liberaram nenhuma ambulância para trazer ela. A gente teve que ir de Uber buscar.” Relatou Marines Bueno, amiga da família.

Polícia Civil investiga o caso

A Polícia Civil informou que está apurando o caso. O delegado Hermison Pereira explicou que as análises serão realizadas junto à Polícia Técnico-Científica e reforçou que ainda é cedo para afirmar negligência.

“Nós vamos inicialmente levantar informações documentais por meio de testemunhas e, em sequência, encaminhar para a Polícia Técnico-Científica, para análise tanto direta como indireta da situação. Após isso, teremos a condição técnica de fazer uma análise circunstancial da situação fática. Situações envolvendo um suposto erro médico dependem de análise técnica, e isso é possível por meio da Polícia Técnico-Científica. A princípio, estamos levantando todas as informações.”

O que diz a Prefeitura

E nota a Prefeitura Municipal de Porangatu através da sua secretaria de Saúde, reafirmando o seu compromisso com a transparência, a responsabilidade e a seriedade na condução da saúde pública do nosso município, vem manifestar sobre o ocorrido na maternidade do hospital Municipal.

Foi cobrado formalmente um posicionamento do instituto alcance, empresa responsável pela contratação direta dos profissionais que atuam na unidade para que sejam apresentados todos os esclarecimentos necessários.

A prefeitura se solidariza profundamente com a família enlutada, oferecendo todo o suporte acompanhamento necessário. Diz a nota na integra.

Instituto Alcance não respondeu

A Rede Serra Azul entrou em contato, por mensagens e ligações, com o médico João Rodante, representante do Instituto Alcance e diretor do hospital. Até o momento, não houve retorno.

Família pede justiça

A tia da recém-nascida, Soraia Souza, disse que a família está abalada e quer esclarecimentos.

“A questão é que não ajudaram a minha irmã. Deixaram a filha da minha irmã morrer. Não fizeram toque na minha irmã, não acudiram a minha irmã. Irresponsabilidade. Queremos justiça. Nós vamos fazer justiça: a nossa e a de Deus.”

Thaís Alcântara

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