Operação interestadual investiga fraude cibernética que atingiu o CNJ e o Judiciário de Goiás, com documentos que simulavam decisões judiciais
Uma ofensiva silenciosa, feita por trás de telas e sistemas oficiais, colocou em alerta o judiciário brasileiro. Na manhã desta quinta-feira (5), a Polícia Civil de Goiás deflagrou uma operação contra fraudes cibernéticas interestaduais que atingiram diretamente o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Poder Judiciário goiano.
A ação é conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), em trabalho integrado com o Núcleo de Inteligência do Tribunal de Justiça de Goiás, a Polícia Civil de Minas Gerais e com apoio operacional da Polícia Civil do Distrito Federal.
Segundo as investigações, os criminosos conseguiram inserir mandados de prisão falsos no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) e também em processos digitais do sistema PROJUDI/TJGO. Para dar aparência de legalidade, foram anexados documentos fraudulentos que simulavam decisões judiciais, como se tivessem sido emitidas por autoridades competentes.
O caso ganhou repercussão nacional após a descoberta de que nomes de peso foram usados indevidamente. Entre eles, o do Presidente da República e de um Ministro e Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o que elevou o nível de gravidade da investigação.
Para a polícia, a fraude representa não apenas um ataque aos sistemas eletrônicos, mas uma ameaça direta à credibilidade da justiça e à segurança jurídica. As apurações seguem em andamento para identificar os responsáveis, o alcance do esquema e se houve outros mandados falsos inseridos de forma criminosa.
A Polícia Civil informou que novas informações serão divulgadas em breve, à medida que a operação avançar. Enquanto isso, o caso reforça um alerta: até mesmo os sistemas mais seguros do país podem virar alvo do crime digital.


