Policial

Idoso é deixado morto em UPA e clínica clandestina é descoberta

Local funcionava sem alvará, abrigava 18 idosos em condições precárias e cobrava mensalidade das famílias

Uma noite que começou com correria na porta da UPA de Senador Canedo terminou em investigação policial. Um idoso de 77 anos, identificado como Orlando Ferreira da Silva, chegou já sem vida à unidade de saúde na noite de quarta-feira (4). Quem o levou foi um funcionário de uma clínica particular — que fugiu logo após deixá-lo no local.

A morte foi confirmada por uma médica da UPA, que estranhou o estado do corpo. Orlando já apresentava rigidez cadavérica, sinal claro de que estava morto havia horas. Diante da situação, a Guarda Civil Municipal (GCM) foi acionada imediatamente.

Funcionário fugiu, mas foi localizado

Com a confirmação do óbito, equipes da GCM iniciaram buscas e conseguiram localizar tanto o funcionário quanto o proprietário da clínica, que funciona na zona rural de Bonfinópolis. No local, os agentes se depararam com um cenário preocupante.

Segundo o dono, Orlando morava na clínica junto com outros 17 idosos, alguns deles com diagnóstico de esquizofrenia. O espaço, no entanto, não possuía qualquer tipo de alvará ou autorização legal para funcionar.

Alimentação imprópria e higiene precária

Durante a vistoria, a GCM encontrou alimentos impróprios para consumo, armazenados de forma irregular, além de condições consideradas insalubres de higiene. Mesmo assim, o local recebia idosos mediante pagamento mensal de R$ 1 mil por família.

A situação levantou suspeitas não apenas sobre a causa da morte de Orlando, mas também sobre possíveis maus-tratos e negligência contra os demais idosos acolhidos no imóvel.

Investigação segue

O proprietário da clínica e o funcionário foram detidos e levados à Polícia Civil, mas acabaram liberados após os procedimentos iniciais. O caso segue sob investigação para apurar responsabilidades, as circunstâncias da morte do idoso e as condições em que os demais moradores viviam.

Enquanto isso, a pergunta que fica ecoando é simples e dura: há quanto tempo esse local funcionava à margem da lei, sem que ninguém percebesse? O desfecho agora depende da investigação.

Lanna Oliveira

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