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Prevenção de ISTs no Carnaval é estratégia essencial de saúde pública; uso de preservativos é principal medida de proteção

O período do Carnaval é historicamente associado ao aumento da exposição a comportamentos de risco, especialmente no que se refere à transmissão das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Diante desse cenário, autoridades de saúde reforçam que a prevenção deve ser tratada como prioridade, sendo o uso correto e consistente do preservativo a principal estratégia para reduzir novos casos.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil enfrenta um quadro persistente de ISTs, com destaque para sífilis e HIV. Dados mais recentes indicam que em 2024 foram notificados 256.830 casos de sífilis adquirida no país, além de 89.724 casos em gestantes e 24.443 casos de sífilis congênita, considerada evitável com diagnóstico e tratamento adequados. Esses números evidenciam falhas na prevenção e no acesso oportuno aos serviços de saúde.

No caso do HIV, o cenário também exige atenção contínua. O Boletim Epidemiológico de HIV/Aids aponta que mais de 1,6 milhão de pessoas foram diagnosticadas com HIV ou aids no Brasil desde o início da série histórica, reforçando que, apesar dos avanços no tratamento, a prevenção segue como eixo central da resposta à epidemia.

Evidências científicas reforçam eficácia do preservativo

Organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, reconhecem o preservativo como uma tecnologia de prevenção altamente eficaz. Estudos científicos indicam que o uso consistente de camisinha pode reduzir em até 80% o risco de transmissão do HIV, além de diminuir significativamente a probabilidade de infecção por outras ISTs, como sífilis, gonorreia e clamídia.

O Ministério da Saúde reforça que camisinhas externas e internas estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), juntamente com ações educativas, testagem rápida e orientações sobre outras estratégias combinadas de prevenção, como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP).

Contexto local: atenção redobrada em Porangatu

Com população estimada em 44.317 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Porangatu se prepara para receber eventos carnavalescos que tradicionalmente aumentam a circulação de pessoas e a interação social. Em municípios de médio porte, especialistas alertam que a disseminação de ISTs pode ter impacto rápido, tanto na rede de saúde quanto na dinâmica social da comunidade.

Nesse contexto, a adoção de medidas preventivas individuais assume papel coletivo. A Secretaria Municipal de Saúde e a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás têm reforçado, em períodos festivos, ações como distribuição de preservativos, orientação à população e divulgação dos fluxos de atendimento para casos de exposição de risco.

Prevenção combinada e acesso aos serviços

Além do uso do preservativo, as autoridades destacam a importância da chamada prevenção combinada, que envolve:

  • Uso regular de preservativos em todas as relações sexuais;
  • Testagem periódica para ISTs;
  • Acesso à PrEP para populações com maior vulnerabilidade;
  • Procura imediata por atendimento de saúde em casos de exposição de risco, para avaliação de PEP (que deve ser iniciada em até 72 horas).

Essas estratégias, quando aplicadas de forma integrada, contribuem para reduzir a transmissão de ISTs e evitar complicações futuras.

Responsabilidade individual e coletiva

Especialistas são unânimes ao afirmar que o Carnaval não deve ser tratado como exceção às práticas de cuidado, mas sim como um período que exige maior atenção. A incorporação da prevenção à rotina da festa é considerada fundamental para garantir que os impactos do evento se limitem à economia, ao turismo e à cultura — e não aos indicadores negativos de saúde pública.

Em Porangatu, onde o Carnaval integra o calendário local, a informação qualificada e o acesso aos meios de prevenção são determinantes para que a população possa aproveitar o período festivo com segurança e responsabilidade.

João Eufrásio

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