Documento antigo foi encontrado em apartamento em Lisboa, teve autenticidade confirmada e será enviado às autoridades brasileiras
Quase 15 anos depois de um dos crimes mais brutais da história recente do país, o nome de Eliza Samudio volta ao centro das atenções. Um passaporte da modelo, em nome de Eliza Silva Samudio, foi encontrado em Portugal e entregue às autoridades brasileiras, reacendendo questionamentos e emoções em torno do caso que ainda marca o imaginário nacional.
O documento foi localizado no fim de 2025 em um apartamento alugado em Lisboa, guardado entre livros, segundo relato de um morador identificado apenas como José. Ao perceber de quem se tratava, ele procurou imediatamente o Consulado-Geral do Brasil em Portugal. “Quando vi a foto e o nome, fiquei em choque. É um caso conhecido no Brasil e no mundo”, contou.
A autenticidade do passaporte foi confirmada pelo consulado brasileiro e também pela mãe de Eliza, Sônia Moura. Em entrevista, ela disse que foi informada sobre a descoberta, mas que só irá se manifestar publicamente após uma análise mais detalhada do documento, com acompanhamento jurídico.
Em nota oficial, o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa informou que recebeu o passaporte na sexta-feira (2) e comunicou o Itamaraty, em Brasília. O órgão aguarda agora orientações sobre os próximos procedimentos. Por se tratar de um documento oficial do Estado brasileiro, a previsão é que ele seja enviado ao Brasil para destruição, conforme determina o protocolo.
Documento sem registro de saída
O passaporte apresenta registro de entrada de Eliza em Portugal em 2007, mas não possui anotação oficial de saída do país. Três anos depois, já em solo brasileiro, Eliza foi assassinada, conforme reconhecido pela justiça. A ausência desse registro levantou dúvidas, mas fontes do Itamaraty esclarecem que ela deixou Portugal em 2 de novembro de 2007 utilizando uma Autorização de Retorno ao Brasil (ARB), emitida pelo próprio consulado após a perda do passaporte.
O documento encontrado foi expedido em maio de 2006 e teria validade até 2011. A ARB usada por Eliza foi recolhida pela Polícia Federal no aeroporto, assim que ela desembarcou no Brasil. Autoridades explicam que passaportes antigos têm alto valor no mercado ilegal, o que justifica a incineração após o envio ao país.
Um caso que nunca foi esquecido
A reaparição do passaporte ocorre 15 anos após o assassinato de Eliza Samudio, crime que levou à condenação do ex-goleiro Bruno Fernandes a mais de 20 anos de prisão por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado. Segundo as investigações, Eliza foi mantida em cárcere no sítio do ex-jogador, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, antes de ser morta. O corpo nunca foi encontrado.
Bruno deixou o regime fechado, passou ao semiaberto em 2018 e está em liberdade condicional desde janeiro de 2023. Enquanto o passaporte segue sob guarda do consulado, aguardando destino final, o achado traz de volta um capítulo doloroso da história brasileira — um caso que, mesmo com condenações, ainda deixa marcas abertas e perguntas sem resposta.


