Policial

Promessa de dinheiro fácil vira armadilha: contadora é presa suspeita de enganar empresários no Tocantins

Investigação aponta golpe de pelo menos R$ 40 mil em pequenos negócios; esquema foi desmontado pela Polícia Civil em operação batizada de ‘Cavalo de Tróia’

O que parecia solução para fazer o negócio crescer acabou virando dor de cabeça e prejuízo. Uma contadora de 37 anos foi presa suspeita de aplicar golpes em pequenos empresários de Paraíso do Tocantins, usando a promessa de financiamentos vantajosos como isca.

Dalila dos Santos Silva foi alvo da ‘Operação Cavalo de Tróia’, deflagrada nesta terça-feira (20) pela 63ª Delegacia de Polícia do município. Segundo a Polícia Civil, ela se apropriou de pelo menos R$ 40 mil das vítimas, prática que configura crime de estelionato.

De acordo com a investigação, Dalila abordava empresários afirmando que conseguiria intermediar financiamentos altos, com juros baixos e parcelas acessíveis. Para ‘destravar’ o crédito, porém, exigia o pagamento antecipado de taxas. O dinheiro era repassado, mas o financiamento nunca chegava.

Com o passar do tempo e a demora nas liberações, as vítimas começaram a desconfiar. Ao procurarem os órgãos responsáveis, descobriram que não havia sequer pedidos de financiamento em seus nomes — e, pior, que não existia nenhuma possibilidade de concessão dos valores prometidos.

Três empresários decidiram então procurar a Polícia Civil e denunciar o caso. A partir daí, os investigadores avançaram sobre o esquema e cumpriram mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e sequestro de bens contra a suspeita.

Segundo o delegado José Lucas Melo, responsável pelo caso, o golpe ultrapassa o prejuízo individual. “As condutas atingiram não apenas o patrimônio das vítimas, mas também a economia local, já que os recursos seriam destinados ao fortalecimento de pequenos negócios”, destacou.

A polícia também apurou que Dalila já responde a outras ações penais por crimes semelhantes, além de falsificação de documentos. O Conselho Regional de Contabilidade do Tocantins informou que ela está com o registro profissional suspenso desde maio de 2024, justamente por irregularidades no exercício da profissão.

A defesa da contadora afirmou, em nota, que os elementos da investigação são frágeis e que irá provar a inocência da cliente.Após a prisão, Dalila foi encaminhada à Unidade Prisional Feminina de Palmas, onde permanece à disposição da justiça. O inquérito será enviado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.

O nome da operação faz referência à história mitológica do Cavalo de Tróia — símbolo de uma falsa promessa que escondia uma armadilha. Segundo a polícia, foi exatamente assim que o golpe funcionou: por fora, facilidades; por dentro, prejuízo e frustração para quem acreditou.

Nota da defesa
O escritório Medrado & Albuquerque, por meio de seus advogados subscritores, recebeu com surpresa a deflagração da operação “Cavalo de Troia”, e assevera que os elementos inquisitoriais são frágeis e não delimitam qualquer conduta criminosa realizada por parte da investigada.

A defesa tomará as medidas cabíveis para o restabelecimento da liberdade e provará nos autos do inquérito policial a inocência de sua cliente, reafirmando a necessidade de que seja respeitado o direito constitucional à presunção de inocência, ao contraditório e à ampla defesa.

Nota do Conselho de Contabilidade
O Conselho Regional de Contabilidade do Tocantins esclarece que a contadora Dalila dos Santos Silva, presa nessa terça-feira, 20, na Operação Cavalo de Tróia da Polícia Civil está com o registro suspenso desde o mês de maio de 2024 por praticar atos irregulares no exercício profissional. O parecer de Censura Pública e Suspensão foi emitido por meio da Câmara de Fiscalização, Ética e Disciplina. A suspensão é válida até 22/08/2027.

O CRCTO não compactua com práticas que contrariem a legislação, as Normas Brasileiras de Contabilidade e o Código de Ética do Contador. O exercício profissional deve observar rigorosamente as normas técnicas e éticas estabelecidas pelo Sistema CFC/CRCs.

Lanna Oliveira

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