Mulher viveu sob ameaças com arma de fogo, rotina controlada e agressões físicas até conseguir escapar e pedir socorro em Aparecida de Goiânia
O que era para ser uma visita de fim de ano virou um pesadelo que durou quase 40 dias. Um cabo da Polícia Militar do Paraná, de 42 anos, foi preso em Aparecida de Goiânia, suspeito de manter a própria prima, de 56 anos, em cárcere privado, sob ameaça constante com arma de fogo.
Segundo a Polícia Militar de Goiás, o militar chegou ao município no dia 25 de dezembro, alegando que faria exames médicos. A partir daí, teria se recusado a deixar o apartamento da vítima, que mora sozinha, passando a controlar cada passo da mulher.
De acordo com o relato feito à polícia, a vítima vivia sob vigilância constante, ameaçada, coagida e impedida de pedir ajuda.
“Era obrigada a ser submissa”, relatou a vítima
Ainda conforme a polícia, o suspeito dizia repetidamente que a mulher deveria ser submissa a ele e viver conforme regras impostas. O celular da vítima também era monitorado. Ela contou que o primo apagou contatos, registros de chamadas e redes sociais. Quando alguém ligava, a mulher só podia atender no viva-voz, sempre sob a supervisão do suspeito.
Nos últimos dias do cárcere, a situação teria se agravado. A vítima relatou que passou a sofrer agressões físicas, com tapas no rosto e empurrões, chegando a ser derrubada da cama. Para esconder os ferimentos, o militar obrigava a mulher a colocar gelo nos hematomas, ainda sob ameaça.
Fuga aconteceu durante ida à padaria
A libertação só veio no fim de semana, quando a vítima conseguiu convencer o suspeito a deixá-la ir sozinha até uma padaria. Para ganhar a confiança dele, deixou o celular para trás. No trajeto, ela fugiu para a casa do filho e acionou a Polícia Militar de Goiás. Os policiais foram até o apartamento e prenderam o homem no domingo (1º).
O militar afirmou à polícia que mantinha um relacionamento amoroso com a prima e negou as agressões, alegando que os conflitos seriam motivados por crises de ciúmes.
A mulher registrou denúncia formal na Polícia Civil de Goiás e, segundo apurado, segue em estado de choque. O suspeito está detido na Corregedoria da PM, em Goiânia, onde aguarda audiência de custódia.


