Dupla com histórico criminal foi presa no Parque Industrial João Braz; um dos suspeitos chegou a fazer curso no Paraguai para aprender a fabricar armamentos
O que antes parecia coisa de filme agora virou caso de polícia em Goiás. Um esquema de fabricação e venda ilegal de armas de fogo produzidas em impressora 3D foi desarticulado pela Polícia Militar em Goiânia. A operação aconteceu no Parque Industrial João Braz, na região Oeste da capital, e terminou com dois homens presos em flagrante.
Segundo a Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam), os suspeitos já tinham passagens por tráfico de drogas e comandavam a produção artesanal de pistolas usando tecnologia de impressão 3D. Um detalhe que chamou atenção dos policiais: um deles chegou a fazer um curso no Paraguai para aprender e aperfeiçoar as técnicas de fabricação das armas.
Durante a ação, realizada na última terça-feira (21), a PM apreendeu pelo menos quatro objetos que simulam pistolas. Cada unidade era vendida por até R$ 2 mil no mercado clandestino. As armas são compatíveis com munição calibre .22 e têm capacidade para até seis balas no carregador, embora realizem apenas um disparo por vez.
Produção caseira e lucro rápido
Além das armas, os policiais encontraram 11 munições, diversos apetrechos usados na fabricação, dois notebooks e uma impressora 3D avaliada em cerca de R$ 3 mil. Dependendo do modelo, esse tipo de equipamento pode ultrapassar os R$ 30 mil, o que torna o negócio ainda mais lucrativo para o crime.
Imagens divulgadas pela Polícia Militar mostram o manuseio das armas e comprovam que, mesmo rudimentares, elas têm potencial letal. A fabricação acontece a partir de programas com moldes digitais das peças, que podem ser impressas inteiras ou em partes.
Arma de impressora 3D funciona?
De acordo com especialistas, é possível sim produzir uma arma capaz de disparar usando impressão 3D. No entanto, o material não é resistente como o metal. Em muitos casos, a arma suporta apenas um ou dois disparos antes de se inutilizar devido à força do impacto.
Outra técnica usada por criminosos é a impressão de um molde, conhecido como ‘macho’, que serve como base para a confecção de partes da arma por outros meios. Mesmo assim, o risco é alto — tanto para quem fabrica quanto para quem usa.
Tecnologia nas mãos do crime
Para a Polícia Militar, o caso acende um alerta. O uso de tecnologia moderna pelo crime organizado mostra que, além de ousadia, há planejamento e estudo por trás das ações ilegais.
Os dois suspeitos foram encaminhados à delegacia e permanecem à disposição da justiça. O material apreendido será periciado. A investigação agora busca identificar outros possíveis envolvidos e compradores das armas.



