Administrador do prédio responde a 12 processos e foi denunciado por perseguição 39 dias após Daiane Alves sumir em Caldas Novas
O sumiço da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, continua cercado de perguntas sem resposta em Caldas Novas, no sul de Goiás. Enquanto a investigação ainda tenta entender o que aconteceu naquela noite de dezembro, um novo capítulo chama a atenção: o síndico do prédio, Cleber Rosa de Oliveira, passou a responder judicialmente por uma série de denúncias envolvendo a mulher.
Segundo a família, Cleber responde a 12 processos relacionados a Daiane. O mais recente deles foi apresentado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) no dia 19 de janeiro, 39 dias após o desaparecimento, quando o síndico foi denunciado pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função, já que ele administrava o prédio onde a corretora morava e trabalhava. A defesa de Cleber não se manifestou até o fechamento desta matéria.
Histórico de conflitos
Entre os processos citados pela família, um dos mais graves é uma ação penal por lesão corporal, registrada em maio de 2025. Nela, o síndico é acusado de ter dado uma cotovelada em Daiane durante uma discussão sobre o desligamento da energia elétrica do prédio.
Daiane desapareceu na noite de 17 de dezembro, após descer até o subsolo do Edifício Ametista Tower, dentro do Residencial Golden Thermas. Ela havia ido verificar uma queda de energia. Desde então, não foi mais vista. A filha da corretora, de 17 anos, não estava no prédio naquele dia.
Para a mãe da corretora, Nilze Alves, de 61 anos, a denúncia do MP não resolve o desaparecimento, mas traz um sentimento de alívio. “É uma sensação de justiça sendo feita. Minha filha foi perseguida por cerca de um ano. Só lamento que ela não esteja aqui para ver isso”, disse.
Segundo Nilze, a perseguição ocorria tanto pessoalmente quanto em grupos de WhatsApp do condomínio.
Assembleia contestada
A irmã da corretora, Fernanda Alves, afirma que uma assembleia convocada pelo síndico para tentar expulsar Daiane do prédio foi irregular. Ela conta que a corretora não tinha conflitos com outros moradores.
“Mesmo com votos contrários, ele dizia que faria de tudo para impedir que ela trabalhasse no prédio”, relatou. O advogado da família, Plínio César Cunha Mendonça, acompanha as investigações, que seguem sob sigilo, aguardando laudos periciais e análises de materiais apreendidos no condomínio.
Polícia ainda não trata como crime
À frente das investigações, o delegado André Barbosa afirmou que, até o momento, o caso não é tratado oficialmente como crime e que não há suspeitos. “Trabalhamos com a hipótese de que Daiane possa ter saído por conta própria ou ter sido levada do prédio. Não há comprovação de morte”, explicou o delegado em entrevista à TV Anhanguera.
A Polícia Civil montou uma força-tarefa, mas enfrenta dificuldades, como a grande quantidade de acessos ao prédio e a demora na perícia do gravador das câmeras de segurança. A família acredita que Daiane tenha sido raptada por alguém que conhecia bem o prédio, seus hábitos e até os pontos cegos das câmeras. Mas evita apontar suspeitos enquanto as investigações seguem.
