Modelo que enganou mais de 100 pessoas com falsas vendas na internet descumpriu pena e voltou para a mira da justiça
O rosto bonito e a vida de aparências nas redes sociais esconderam, por anos, um rastro de prejuízo e dor. Conhecida como Barbie do Crime, a modelo fotográfica Bruna Cristine Menezes de Castro voltou a ser presa nesta sexta-feira (30) pela Polícia Civil, em Goiânia, reacendendo um caso que marcou vítimas em Goiás e outros estados do país.
Bruna ganhou notoriedade em 2015, quando foi presa e condenada por aplicar golpes em mais de 100 pessoas, usando anúncios falsos de produtos importados nas redes sociais. Celulares, perfumes e maquiagens eram oferecidos a preços atraentes, mas nunca entregues. Só entre 20 vítimas de Goiânia, o prejuízo chegou a cerca de R$ 50 mil.
Na época, a Polícia Civil apontou que os golpes vinham sendo aplicados havia pelo menos cinco anos. As investigações revelaram que a modelo criava perfis falsos, usava nomes diferentes — em alguns casos se apresentava como ‘Maria’ — e trocava constantemente de conta para despistar as vítimas. O dinheiro era depositado, muitas vezes, em contas de pessoas próximas a ela.
Para ganhar tempo e evitar cobranças, Bruna chegou a usar histórias chocantes. Segundo a polícia, ela dizia que estava com câncer, ou que o pai enfrentava a doença, para justificar atrasos e o não envio dos produtos. Em um dos casos mais graves, um ex-namorado do Rio de Janeiro relatou ter depositado mais de R$ 15 mil, acreditando que ajudava no tratamento da suposta doença.
Condenada em setembro de 2015, Bruna confessou parte dos crimes e disse estar arrependida. A pena inicial de prisão foi convertida em prestação de serviços comunitários e multa de 10 salários mínimos, já que não houve violência ou ameaça. O problema veio depois: a pena nunca foi cumprida.
Desde 2017, segundo a justiça, a modelo deixou de prestar os serviços determinados, faltou a audiências e mudou de endereço diversas vezes sem comunicar ao judiciário. Diante do descumprimento, um novo mandado de prisão foi expedido. Em 2021, ela chegou a se apresentar à polícia e conseguiu o direito à prisão domiciliar, alegando ser mãe de duas crianças menores de 12 anos.
Agora, com a nova prisão registrada no Parque Atheneu, em Goiânia, o caso volta ao centro do debate. O episódio serve de alerta: desconfiança ainda é o melhor antídoto contra golpes virtuais. Promoções milagrosas, perfis recém-criados e histórias emocionais demais costumam esconder armadilhas.


