Movimento pressiona governo por fundo contra crime organizado e melhorias salariais.
Delegados da Polícia Federal decidiram realizar uma paralisação nacional intitulada “82 horas sem a PF”, prevista para ocorrer entre os dias 25 e 28 de março, período que marca os 82 anos da instituição. Durante o movimento, diversas atividades serão suspensas, incluindo operações policiais, embora serviços considerados essenciais sejam mantidos.
Entre as ações que continuarão em funcionamento estão casos com risco iminente de vida, situações de flagrante e investigações envolvendo autoridades com foro privilegiado. A mobilização é liderada pela categoria como forma de pressionar o governo federal por mudanças estruturais.
Uma das principais reivindicações é a criação de um fundo específico para o combate ao crime organizado. A proposta prevê o uso de recursos apreendidos em operações para financiar atividades de investigação e inteligência, sem gerar novos custos para o governo.
Além disso, os delegados demonstram insatisfação com questões salariais, apontando defasagem nos vencimentos e a ausência de benefícios presentes em outras carreiras do serviço público.
O presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Felix de Paiva, afirmou que a categoria deve se reunir novamente nesta terça-feira (24) para confirmar o início da paralisação. Segundo ele, caso não haja avanços nas negociações, o movimento será iniciado conforme previsto.
Paiva destacou ainda que, nos últimos dois anos, a Polícia Federal recuperou cerca de R$ 16 bilhões provenientes do crime organizado, apesar de enfrentar limitações de recursos materiais e a desvalorização dos servidores. Ele também cobrou do governo federal o cumprimento da promessa de criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Funcoc), que, segundo a categoria, fortaleceria o enfrentamento às organizações criminosas no país.



