Porangatu, vive um momento histórico. Após anos de batalha administrativa e cultural, o município está na fase final para retomar seu credenciamento junto ao IPHAN, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e voltar a receber os recursos destinados à preservação e manutenção do Museu Ângelo Rosa. Uma conquista que vai muito além das paredes de um prédio histórico: é a recuperação da identidade de toda uma região.
O Museu Ângelo Rosa é o único equipamento cultural do tipo em toda a região do Vale Serra da Mesa. Seu acervo não guarda apenas a memória de Porangatu, mas também de municípios vizinhos e de parte da história do estado de Goiás. Durante anos, no entanto, o descaso com o uso correto dos recursos públicos destinados ao museu gerou consequências graves: o município perdeu seu credenciamento junto ao IPHAN e ficou impedido de receber os chamados “endossos”, verbas federais específicas para a gestão de museus e preservação de acervos arqueológicos e históricos.
A virada começou com uma decisão política clara e corajosa. A gestão municipal atual, encabeçada pela prefeita Vanuza Valadares, fez da recuperação do museu uma prioridade desde o primeiro ano de mandato. O trabalho envolveu a regularização da situação cadastral do município perante os órgãos federais, a organização de processos internos e a reconstrução da credibilidade institucional de Porangatu no cenário nacional de preservação do patrimônio histórico. Seis anos de esforço contínuo para limpar o nome da cidade e devolver ao museu o protagonismo que sempre mereceu. Ouça trecho da entrevista concedida ao Portal Serra Azul Notícias, por Dayane Cecci, secretária de cultura de Porangatu.
A administração municipal deu um passo ainda mais estratégico: a criação de uma lei municipal específica. Essa legislação determina que todos os recursos recebidos via endosso sejam utilizados exclusivamente para finalidades relacionadas ao patrimônio cultural, manutenção de acervos, preservação arqueológica, restauro de peças e fortalecimento das atividades do museu. A lei aprovada na câmara de vereadores por unanimidade também prevê a criação de uma conta bancária específica para movimentar esses valores, garantindo total transparência.
A importância dessa legislação vai além do presente. Segunda a secretária, Dayane Cecci , a lei foi pensada como um instrumento de proteção para o futuro. Gestores mudam, prioridades políticas se transformam, mas uma lei bem construída permanece. O objetivo é justamente esse: blindar o Museu Ângelo Rosa de eventuais desvios de finalidade, assegurando que os recursos cheguem onde devem chegar e cumpram o papel para o qual foram criados, contar, preservar e celebrar a história de um povo.
Porangatu dá ao Brasil um exemplo de como política pública séria e compromisso com a cultura podem transformar realidades. Recuperar um museu vai muito além de restaurar paredes ou organizar vitrines: é reafirmar que uma comunidade conhece e valoriza suas raízes. O Museu Ângelo Rosa está de volta e agora, com lei, transparência e vontade política, está preparado para durar para as próximas gerações do município.



