Crime ocorreu em 14 de junho de 2025, quatro dias após a vítima retirar medida protetiva contra o agressor.
A Justiça condenou a 80 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, o homem acusado de matar a ex-companheira Amabhia Chinagria Pereira da Silva, em um crime que chocou moradores de Niquelândia, no norte de Goiás.
A condenação foi definida em Júri Popular realizado nesta segunda-feira (6), após denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO). Os jurados reconheceram o crime como feminicídio, com agravantes como o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, o descumprimento de medidas protetivas e o fato de o crime ter ocorrido na presença dos três filhos do casal.
Segundo as investigações, o crime aconteceu na manhã do dia 14 de junho de 2025. O acusado foi até a casa da vítima alegando que buscaria os filhos, de 4, 3 e 1 ano. No local, iniciou uma discussão e atacou Amabhia com uma facada no pescoço.
Mesmo ferida, a vítima conseguiu sair da residência e pedir ajuda em uma oficina próxima. Ela foi socorrida pelo Samu e pelo Corpo de Bombeiros e levada ao Hospital Municipal de Niquelândia, mas não resistiu.
Após o ataque, o homem fugiu levando as crianças em um carro. Durante a fuga, bateu em um caminhão estacionado, abandonou os filhos no veículo e seguiu a pé por uma área de mata. As crianças foram encontradas sem ferimentos e entregues a familiares. O suspeito foi preso quatro dias depois, em Goianésia.
A investigação também apontou que a vítima havia retirado uma medida protetiva poucos dias antes do crime, por acreditar que o ex-companheiro não representava mais risco.
Na sentença, o juiz Thiago Mehari Ferreira Martins fixou a pena no máximo permitido, considerando a gravidade do caso e os antecedentes do réu. Na etapa final, a aplicação de três agravantes elevou a condenação para 80 anos de reclusão.
Além da pena de prisão, o condenado perdeu o poder familiar sobre os filhos e deverá pagar R$ 150 mil por danos morais aos familiares da vítima. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do acusado até a última atualização desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.


