Família denuncia demora no SUS enquanto hospital afirma não haver pedido registrado para o procedimento
Uma criança de 4 anos, identificada como Miguel, aguarda há cerca de três anos por uma cirurgia considerada essencial para sua sobrevivência, em Goiânia. O procedimento, chamado reconstrução laringotraqueal, é necessário para que ele consiga respirar sem depender de uma cânula e reduzir o risco de morte.
O menino foi diagnosticado com estenose subglótica grau IV, a forma mais grave da condição, que compromete quase totalmente a passagem de ar. Desde os primeiros meses de vida, ele depende de traqueostomia para conseguir respirar.
Um relatório médico emitido pelo próprio hospital aponta que o quadro é crítico, com obstrução severa das vias aéreas. O documento alerta que qualquer problema com a cânula, como entupimento ou retirada acidental, pode provocar parada cardiorrespiratória.
Apesar disso, há divergência entre as informações. Segundo o relatório, Miguel teria sido incluído na fila de espera para cirurgia, mas o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás informou que não há registro de solicitação do procedimento no sistema da unidade, embora a criança esteja em acompanhamento ambulatorial desde janeiro de 2026.
Além da espera em Goiás, a família também busca atendimento em outra unidade, no interior de São Paulo, onde o menino ocupa uma posição na fila cirúrgica. No entanto, o número limitado de procedimentos realizados mensalmente dificulta a realização rápida da cirurgia.
A mãe da criança também relata dificuldades no transporte para consultas e terapias. Segundo ela, o filho já passou mal durante deslocamentos e, em uma das situações, precisou ser socorrido por ela mesma dentro da ambulância, que não contava com equipe de enfermagem.
A Secretaria Municipal de Saúde informou que o transporte oferecido é de caráter eletivo, feito por ambulâncias de suporte básico, sendo que veículos com estrutura avançada são destinados apenas a casos de urgência e emergência.
O caso chama atenção para a demora no acesso a procedimentos de alta complexidade e para os desafios enfrentados por famílias que dependem do sistema público de saúde.


