Anápolis lidera número de óbitos no estado; idosos e crianças pequenas seguem entre os grupos mais vulneráveis à síndrome respiratória
O avanço da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Goiás acendeu um alerta das autoridades de saúde, especialmente em municípios localizados entre Anápolis e a região Sudoeste do estado. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) mostram que quatro cidades concentram a maior parte das mortes registradas pela doença em 2026: Anápolis, Rio Verde, Jataí e Mineiros.
Segundo o levantamento mais recente, Goiás soma 4.069 casos notificados e 200 mortes por SRAG neste ano. Desse total, 134 óbitos ocorreram apenas nos quatro municípios citados, o equivalente a 67% das mortes registradas em todo o estado.
Anápolis lidera o ranking estadual com 57 mortes, concentrando 28,5% de todos os óbitos por SRAG em Goiás. Na sequência aparecem Rio Verde, com 30 mortes, Jataí, com 26, e Mineiros, com 21 registros. Enquanto isso, 198 dos 246 municípios goianos não contabilizaram mortes relacionadas à síndrome em 2026, cenário que evidencia a concentração do impacto em áreas específicas.
Além da distribuição geográfica, outro ponto que preocupa especialistas é o perfil das vítimas. Pessoas com mais de 60 anos representam mais da metade dos óbitos confirmados no estado. Crianças menores de dois anos também aparecem entre os grupos de maior vulnerabilidade para complicações respiratórias graves e necessidade de internação.
Os dados epidemiológicos apontam ainda que a Influenza foi identificada em 20 mortes neste ano, enquanto cinco óbitos tiveram confirmação para Covid-19. No entanto, a maior parcela dos registros, 128 casos, foi classificada como “SRAG não especificada”, situação em que não há confirmação laboratorial conclusiva sobre o vírus responsável pela infecção respiratória.
O crescimento dos casos levou Goiás a decretar situação de emergência em saúde pública em abril deste ano. A medida autorizou ampliação de leitos hospitalares, contratação emergencial de serviços e instalação do Centro de Operações de Emergências em Saúde por SRAG (COE-SRAG), coordenado pela Secretaria Estadual de Saúde.
Em Anápolis, um dos municípios mais impactados pelo cenário, autoridades locais também intensificaram ações de vacinação. Dados municipais mostram crescimento de aproximadamente 30% nos casos da síndrome respiratória em comparação com o mesmo período do ano passado. A baixa cobertura vacinal continua sendo uma preocupação entre profissionais da saúde.
Segundo a subsecretária estadual de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, Goiás ainda está distante da meta ideal de imunização contra a gripe. A cobertura vacinal gira em torno de 32%, enquanto o índice recomendado pelo Ministério da Saúde é de 90% para os grupos prioritários.
Especialistas reforçam que vacinação, higiene frequente das mãos e atenção aos primeiros sintomas respiratórios continuam sendo as principais medidas de prevenção diante do aumento da circulação de vírus respiratórios no estado.


