Cortejo reúne terreiros e adeptos de religiões de matriz africana em celebração voltada à ancestralidade, fé e combate à intolerância religiosa
Goiânia receberá, no próximo sábado (30), uma procissão em homenagem aos Pretos Velhos, entidades reverenciadas nas religiões de matriz africana, especialmente na Umbanda. O evento terá início às 16h, com saída do Centro Espírita São Miguel Arcanjo, no Setor Leste Universitário, e seguirá até a Praça Universitária. A expectativa é reunir dezenas de terreiros, lideranças religiosas e simpatizantes em uma manifestação de fé, cultura e preservação da ancestralidade afro-brasileira.
Segundo os organizadores, a caminhada busca valorizar tradições históricas ligadas às religiões afro-brasileiras e ampliar o diálogo sobre respeito à diversidade religiosa. A procissão também pretende reforçar ações de conscientização contra a intolerância religiosa, tema frequentemente debatido por representantes de povos de terreiro em Goiás.
A atividade dá continuidade a uma tradição iniciada por Vó Erotildes, referência religiosa ligada ao Centro Espírita São Miguel Arcanjo. Descendente de pessoas escravizadas, ela fundou uma das casas espirituais mais antigas do estado na década de 1950 e se tornou conhecida pelo trabalho voltado à caridade, acolhimento e preservação de saberes ancestrais.
De acordo com os dirigentes da casa religiosa, centenas de pessoas são esperadas entre médiuns, sacerdotes, dirigentes espirituais e integrantes de comunidades de matriz africana. Ao final do percurso, a programação prevê momentos de oração, louvação e manifestações culturais ligadas à tradição afro-brasileira.
Na Umbanda, os Pretos Velhos representam figuras espirituais associadas à sabedoria, aconselhamento, acolhimento e transmissão de ensinamentos. A tradição tem origem na memória da população negra escravizada e na formação cultural e religiosa brasileira, construída ao longo dos séculos a partir do encontro entre influências africanas, cristãs e espiritualistas.
A realização da procissão em espaço público também busca ampliar a visibilidade das religiões de matriz africana na capital goiana. Organizadores afirmam que a proposta vai além da dimensão espiritual e reforça a preservação cultural e histórica ligada à identidade afro-brasileira.
Nos últimos anos, manifestações semelhantes voltaram a ganhar força em Goiás após um período de interrupção, reunindo milhares de participantes em atos voltados à valorização da ancestralidade e da liberdade religiosa.


