Segundo autoridades, jovem relatou ter imobilizado a mãe com um golpe conhecido como mata-leão após uma discussão; adolescente permaneceu por horas no apartamento com o corpo e a irmã de quatro anos antes de acionar a polícia.
Uma brasileira de 33 anos foi morta dentro do apartamento onde vivia em Algés, na região de Lisboa, em Portugal. O principal suspeito do crime é o próprio filho da vítima, um adolescente de 15 anos, que, segundo as autoridades portuguesas, confessou o homicídio após entrar em contato com a polícia.
A vítima foi identificada como Gabriela Barbosa, natural de Osasco, no estado de São Paulo. De acordo com informações publicadas pelo jornal português Público, o adolescente relatou que discutiu com a mãe na noite de quarta-feira (12) e, pouco depois, aplicou nela um golpe conhecido como mata-leão.
Gabriela morreu no apartamento onde morava com o adolescente e a filha mais nova, de quatro anos. A brasileira havia se mudado para Portugal em 2024 com os filhos e o marido.
Segundo a Polícia de Segurança Pública (PSP), o adolescente entrou em contato com as autoridades por volta das 18h de quinta-feira (13), após permanecer durante o dia no imóvel onde estava o corpo da mãe. Na ligação, ele teria confessado o crime e se entregado.
A irmã de quatro anos também permaneceu no apartamento. Conforme o Público, os dois irmãos já estavam sinalizados pelas autoridades portuguesas, desde 2024, em razão de uma situação considerada de perigo.
Familiares da vítima pretendem solicitar a guarda da menina. O pai das crianças está preso desde 2025, após ter sido condenado por violência doméstica. Atualmente, segundo informações divulgadas pelo portal g1, a criança está sob os cuidados de uma amiga da brasileira.
Adolescente havia feito denúncia contra a mãe
A possível motivação do crime também é investigada pelas autoridades. Segundo a polícia portuguesa, o caso estaria relacionado a relatos de eventuais maus-tratos físicos e psicológicos praticados pela vítima contra os dois filhos.
O adolescente teria informado às autoridades que a mãe agredia constantemente a filha mais nova e fazia ameaças de morte contra a criança. Segundo o jornal português Correio da Manhã, na noite do crime, Gabriela teria chegado em casa alterada e agredido o filho.
Algumas semanas antes da morte, agentes da Polícia de Segurança Pública já haviam comparecido ao apartamento após uma denúncia realizada pelo próprio adolescente.
Durante o primeiro interrogatório judicial, realizado no Tribunal de Menores de Cascais, o jovem permaneceu em silêncio. Foi determinada a permanência dele por três meses em um centro educativo, em regime fechado. Segundo as informações divulgadas, o tribunal considerou a possibilidade de o adolescente cometer novos atos de gravidade semelhante.
A Polícia Judiciária confirmou que Gabriela sofreu uma agressão fatal e morreu dentro da própria residência. A corporação informou ainda que as circunstâncias que antecederam o crime podem estar relacionadas aos eventuais maus-tratos físicos e psicológicos envolvendo a vítima e os filhos. As circunstâncias do caso seguem sob investigação.
Familiares da brasileira tentam obter passaportes de emergência para viajar a Portugal e buscar a menina de quatro anos.
Ao g1, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil confirmou o caso e informou que mantém contato com os familiares de Gabriela e com as autoridades portuguesas responsáveis. Segundo o Itamaraty, a família está recebendo a assistência consular necessária.



