Em episódio especial do Janeiro Branco, Joel Jota recebe a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa em seu podcast e provoca reflexão sobre excessos, tecnologia e adoecimento emocional
A mente humana virou campo de batalha. Em meio a telas ligadas o tempo todo, cobrança por resultados e uma avalanche de informações, cuidar da saúde mental deixou de ser escolha e virou urgência. É com esse alerta que o ‘Jota Jota Podcast’ lança um dos episódios mais reflexivos da temporada, em sintonia com o Janeiro Branco, campanha criada no Brasil para incentivar o cuidado com a saúde emocional.
No episódio #261, intitulado ‘Por que a saúde mental vai piorar nos próximos anos?’, Joel Jota recebe a psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa para uma conversa direta, profunda e sem romantização do sofrimento. O tema é espinhoso, mas necessário: estamos caminhando para uma verdadeira crise global de adoecimento mental.
Conhecido nacionalmente por falar de negócios, alta performance e desenvolvimento pessoal, o ‘Jota Jota Podcast’ amplia o foco e coloca a mente no centro do debate. Ao longo do episódio, são discutidos assuntos que fazem parte da rotina de milhões de brasileiros: o crescimento dos diagnósticos de ansiedade, depressão e TDAH, o uso excessivo de telas, a banalização da saúde mental nas redes sociais e a confusão frequente entre cansaço emocional e transtornos psiquiátricos.
Com linguagem clara e embasada na prática clínica, a médica Ana Beatriz explica a diferença entre mente, cérebro e consciência, alerta para os riscos do uso inconsciente da tecnologia e faz uma leitura firme sobre o futuro. Logo no início, ela lança a provocação: será que já estamos vivendo uma ‘pandemia’ de doenças mentais? A especialista lembra que, desde 2016, a Organização Mundial da Saúde já acendia o alerta para o avanço do suicídio, com números que chocam — uma morte a cada 41 segundos no mundo.
Um dos trechos mais marcantes do episódio é a explicação sobre a ansiedade. Para a psiquiatra, ansiedade é medo, mas não um medo concreto. É um medo subjetivo, difuso, ligado à sensação de não pertencimento, inadequação e insegurança. Um sentimento que ajuda a entender por que tanta gente adoece mesmo sem conseguir explicar exatamente o motivo.
O papel da vida moderna
A conversa também escancara um paradoxo da vida moderna: nunca se teve tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, tantos casos de sofrimento emocional. Ana Beatriz é direta ao afirmar que informação não é conhecimento, e que conhecimento sem experiência não gera sabedoria. Joel Jota complementa com um exemplo simples: saber na teoria não significa saber viver.
Outro ponto que chama atenção é o debate sobre os excessos. Trabalho demais, estímulos demais, consumo demais — e até dinheiro demais. A especialista alerta que o ser humano não foi feito para viver no limite o tempo todo. Segundo ela, o dinheiro é importante, mas tem um teto saudável. Passar desse limite, sem propósito e sem consciência, pode adoecer. É o que se vê, com frequência, em influenciadores, artistas e jogadores que, mesmo com muito dinheiro, se perdem em polêmicas, violência e drogas.
Ao longo do episódio, ciência, comportamento e vida real se encontram. A mensagem é clara: saúde mental não pode ser tratada como moda ou discurso bonito de rede social. Precisa ser encarada como responsabilidade individual e coletiva.


