O governo federal está reorganizando suas peças políticas pensando nas eleições de 2026. O presidente Lula definiu que Olavo Noleto, atualmente no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, vai assumir a Secretaria das Relações Institucionais a partir de abril. Ele chega para ocupar o lugar de Gleisi Hoffmann, que deve se preparar para disputar uma vaga no Senado pelo Paraná. A escolha encerra e especulações dentro do PT e entre os aliados do governo.
Olavo Noleto não é um nome novo em Brasília. O goiano já trabalhou na articulação política em cinco governos petistas e conhece bem os corredores do poder. Ele foi braço direito de Alexandre Padilha quando este comandava a mesma secretaria, cuidando das operações do dia a dia enquanto Padilha fazia as negociações maiores. Mesmo depois que Padilha saiu para assumir a Saúde, Noleto continuou relevante, indo para o Conselhão a convite da própria Gleisi.
A Secretaria das Relações Institucionais é considerada uma das mais estratégicas do governo. É lá que acontece a negociação com deputados e senadores: liberação de verbas, distribuição de cargos e a construção de apoio para aprovar projetos importantes. Em ano eleitoral, esse trabalho fica ainda mais delicado, exigindo alguém que saiba transitar bem entre os diferentes grupos políticos e que tenha a confiança total do presidente.
A escolha de Noleto indica que Lula preferiu apostar em alguém de dentro, que já conhece o funcionamento da máquina pública e tem experiência comprovada. Ele entende como funciona o sistema de emendas parlamentares e tem bom trânsito tanto na Casa Civil quanto em outras áreas do governo. Para quem precisa manter a governabilidade em um ano politicamente agitado, escolher um nome técnico e discreto pode ser uma jogada segura.
A troca também marca o início da reorganização política do PT para as eleições do próximo ano. Com Gleisi se preparando para disputar o Senado, o partido movimenta suas lideranças e define quem ficará responsável por manter o diálogo com o Congresso. Resta saber como Noleto vai lidar com um Legislativo cada vez mais forte e exigente, especialmente em um momento onde cada voto conta para o governo.


