Crime teria sido motivado por denúncia de abusos policiais.
O Ministério Público do Tocantins denunciou, na segunda-feira (13), dois policiais militares acusados de executar um homem a tiros na rodovia TO-181, entre os municípios de Sandolândia e Araguaçu, no sul do estado. Segundo a acusação, o crime teria sido motivado pelo fato de a vítima ter denunciado abusos cometidos por policiais à própria instituição.
O documento, ao qual o Jornal Opção Tocantins teve acesso, é assinado por cinco promotores de Justiça, cujos nomes não foram divulgados por motivos de segurança.
De acordo com a denúncia, os militares Cláudio Roberto Nunes Gomes e Devany Gomes dos Santos são acusados de homicídio qualificado e fraude processual. A acusação tem como base o inquérito que investigou a morte de Jefferson Lima Borges, ocorrida na madrugada de 21 de setembro de 2025. Ambos estão presos.
Segundo o Ministério Público, o crime foi premeditado e executado por meio de emboscada. Os policiais teriam monitorado a vítima durante uma festa em Sandolândia e aguardado sua saída. Quando Jefferson deixou o local em uma motocicleta, foi perseguido pelos suspeitos em uma caminhonete e atingido por disparos de arma de fogo.
Ainda conforme a investigação, pelo menos oito tiros foram efetuados, sendo três deles responsáveis por atingir a vítima, que morreu no local. Parte dos disparos teria sido feita com uma pistola calibre .40 pertencente à Polícia Militar.
A denúncia aponta que o homicídio foi motivado por “motivo torpe”. Jefferson havia procurado o Ministério Público para relatar abordagens abusivas, perseguições e ameaças atribuídas a policiais militares da região. Para os promotores, a atitude foi interpretada como ameaça, levando os acusados a agir para silenciar a vítima e impedir novas denúncias.
O Ministério Público também sustenta que o crime apresenta características de grupo de extermínio, com a intenção de eliminar a vítima.
Além do homicídio, os policiais foram denunciados por fraude processual. Segundo a acusação, após o crime, houve tentativa de atrapalhar as investigações, incluindo a comunicação falsa de extravio da arma utilizada e a realização de buscas na internet sobre rastreamento de celulares e recuperação de mensagens apagadas.
Um dos investigados também teria trocado de aparelho celular e determinado a formatação completa do dispositivo antigo, eliminando possíveis provas.
O Ministério Público pediu que os acusados sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri. Em caso de condenação, também foi solicitada indenização mínima de R$ 500 mil por réu à família da vítima.
O caso aguarda decisão da Justiça sobre o recebimento da denúncia e o andamento da ação penal. A reportagem procurou a Polícia Militar para comentar o caso e tenta contato com a defesa dos acusados.
com informações Jornal Opção


