O governo federal lançou uma nova versão do programa de renegociação de dívidas, conhecido como Desenrola 2.0, que traz como principal novidade a possibilidade de uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para ajudar no pagamento de débitos. A medida tem como objetivo reduzir o endividamento das famílias e facilitar acordos com condições mais acessíveis.
Pelas regras previstas, o trabalhador poderá utilizar apenas uma parte do saldo disponível no FGTS para quitar dívidas renegociadas dentro do programa. O limite deve chegar a até 20% do valor disponível no fundo, ou um valor mínimo estabelecido — o que for maior —, sempre vinculado diretamente ao pagamento da dívida acordada.
O saque não será liberado de forma livre. Para acessar o dinheiro, o interessado precisará primeiro aderir ao programa e renegociar o débito com a instituição financeira. Somente após a formalização do acordo é que o valor do FGTS poderá ser utilizado para quitar ou abater a dívida.
Outra regra importante é que o uso do fundo será condicionado às dívidas incluídas no Desenrola, especialmente aquelas com juros mais altos, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais. A proposta é priorizar esse tipo de débito justamente por representar maior impacto no orçamento das famílias.
Além da liberação parcial do FGTS, o programa prevê descontos que podem chegar a até 90% do valor total da dívida, além de juros reduzidos, com teto próximo de 1,99% ao mês. As condições variam conforme o perfil do devedor e o tipo de débito negociado.
O Desenrola 2.0 é voltado principalmente para pessoas com renda de até cinco salários mínimos, incluindo trabalhadores informais, microempreendedores e famílias de baixa renda. A adesão deve ocorrer de forma digital, por meio de plataformas oficiais e instituições financeiras participantes.
A expectativa do governo é que o programa alcance milhões de brasileiros e contribua para diminuir os índices de inadimplência no país. A iniciativa também busca aliviar o orçamento doméstico e estimular a recuperação econômica, ao permitir que consumidores voltem a ter acesso ao crédito com melhores condições.


