Organização avalia risco sanitário global após casos registrados em embarcação com quase 150 pessoas a bordo
A Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora um possível surto de hantavírus identificado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que navegava pelo Oceano Atlântico entre a Argentina e Cabo Verde. Até o momento, sete casos da doença foram identificados, incluindo três mortes, um paciente em estado crítico e outros passageiros com sintomas leves.
O caso chamou atenção internacional devido à suspeita de transmissão entre humanos, considerada extremamente rara para esse tipo de vírus. Segundo a OMS, a hipótese não pode ser descartada porque alguns dos infectados tiveram contato muito próximo dentro da embarcação, especialmente em cabines compartilhadas.
A embarcação transportava cerca de 150 pessoas e permanece sob monitoramento sanitário próximo à costa africana. Autoridades de Cabo Verde impediram inicialmente o desembarque dos passageiros enquanto equipes médicas internacionais avaliam os riscos epidemiológicos.
O hantavírus é uma doença rara normalmente transmitida pelo contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados. Em alguns casos, a infecção pode evoluir para síndrome pulmonar grave, com alto índice de letalidade. A variante que preocupa as autoridades é o chamado vírus dos Andes, identificado na América do Sul e uma das poucas cepas conhecidas com potencial de transmissão entre pessoas.
De acordo com a OMS, os primeiros passageiros infectados provavelmente contraíram o vírus antes do embarque, durante atividades na Argentina, região considerada endêmica para a variante andina. A suspeita é que o ambiente fechado do navio tenha favorecido a disseminação entre contatos próximos.
Apesar da gravidade dos casos, a Organização Mundial da Saúde afirma que o risco de disseminação global permanece baixo e que não há recomendação para restrições de viagens internacionais. Especialistas ressaltam que o hantavírus não apresenta facilidade de transmissão semelhante à observada em doenças respiratórias altamente contagiosas.
A OMS coordena agora ações com autoridades sanitárias da Espanha, Cabo Verde e outros países para a evacuação de pacientes, realização de exames laboratoriais e desinfecção completa da embarcação.
O episódio reacende o debate sobre protocolos sanitários em viagens internacionais e a necessidade de monitoramento rápido de doenças infecciosas em ambientes de grande circulação de pessoas. Embora especialistas descartem, neste momento, risco de pandemia, o caso é tratado como incomum pela possibilidade de transmissão humana de uma doença historicamente associada à exposição a roedores.


