Polícia Civil investiga associação criminosa suspeita de aplicar fraudes milionárias no agronegócio goiano
Uma operação da Polícia Civil de Goiás mobilizou equipes em três estados brasileiros e no Distrito Federal para desarticular um grupo suspeito de aplicar golpes contra produtores rurais em Rio Verde, no sudoeste goiano. A ação foi coordenada pelo Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic) e teve como alvo uma associação criminosa investigada por fraudes financeiras e lavagem de dinheiro.
Segundo as investigações, os criminosos utilizavam empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e falsas negociações comerciais para enganar produtores rurais ligados ao setor de grãos. O prejuízo estimado apenas na região de Rio Verde ultrapassa R$ 1 milhão, mas a polícia acredita que o esquema tenha atuação nacional e possa envolver valores ainda maiores.
A operação cumpriu mandados judiciais em Goiás, Mato Grosso e São Paulo, além do Distrito Federal. Policiais civis apreenderam celulares, documentos, computadores e materiais financeiros que devem ajudar a rastrear o caminho do dinheiro movimentado pela quadrilha.
De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos atuavam principalmente por meio do chamado “golpe do falso intermediário”. Nesse tipo de fraude, criminosos se passam por compradores ou vendedores de grãos para intermediar negociações falsas envolvendo milho, soja e outros produtos agrícolas. Quando o produtor percebe o golpe, os valores já foram desviados para contas de “laranjas”.
As investigações apontam que o grupo mantinha uma estrutura organizada, com divisão de tarefas entre integrantes responsáveis por contatos comerciais, movimentação financeira, emissão de documentos falsos e ocultação patrimonial. O Ministério Público de Goiás já classificou o esquema como possível organização criminosa voltada à prática de estelionato e lavagem de dinheiro.
Rio Verde, um dos maiores polos do agronegócio brasileiro, tem sido alvo frequente de fraudes envolvendo comercialização de grãos devido ao elevado volume financeiro movimentado na região. O município possui um dos maiores PIBs agropecuários do país e concentra intensa atividade de compra e venda de soja, milho e algodão.
Casos semelhantes já haviam sido registrados anteriormente no sudoeste goiano. Em outra investigação conduzida pela Polícia Civil, empresas de fachada foram acusadas de aplicar golpes milionários em produtores rurais utilizando falsas negociações de grãos e emissão de notas fiscais fraudulentas.
A Polícia Civil informou que as diligências continuam para identificar outros envolvidos e rastrear o destino dos valores desviados. Os investigados poderão responder por crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa.


