Órgão acompanha aquecimento do Oceano Pacífico e alerta para risco de ondas de calor, estiagem prolongada e impactos na agropecuária goiana
O Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) monitora a possibilidade de formação de um El Niño de forte intensidade no segundo semestre de 2026. Caso o aquecimento das águas do Oceano Pacífico alcance níveis mais elevados, o fenômeno climático poderá provocar atraso no período chuvoso, aumento das temperaturas e impactos diretos na produção agrícola em Goiás.
Segundo o gerente do Cimehgo, André Amorim, o principal ponto de atenção está no comportamento do Oceano Pacífico entre agosto e setembro. Atualmente, a temperatura das águas está cerca de 0,6°C acima da média, cenário considerado de estabilidade. No entanto, caso o aquecimento chegue a 2°C acima do normal, especialistas avaliam a possibilidade de um episódio mais intenso do fenômeno, popularmente chamado de “super El Niño”.
De acordo com o Cimehgo, um dos primeiros reflexos em Goiás pode ser o atraso entre 15 e 20 dias no início regular do período chuvoso. Na prática, outubro pode começar com chuvas irregulares e longos intervalos de estiagem, cenário que preocupa especialmente produtores rurais.
“Chove um dia e depois passa vários dias sem chuva. Para quem planta, isso pode gerar perdas”, explicou André Amorim ao Mais Goiás.
Outro efeito esperado envolve o aumento das temperaturas. Sem precipitações frequentes para amenizar o clima, cidades goianas podem enfrentar ondas de calor mais intensas entre agosto e novembro. Goiânia, por exemplo, poderá registrar temperaturas superiores a 32°C e 34°C em períodos que normalmente já começariam a ter redução térmica com a chegada das chuvas.
Especialistas apontam ainda possível redução dos níveis de rios e reservatórios, agravamento da seca e aumento do risco de queimadas durante o período crítico da estiagem. Goiás já enfrentou nos últimos anos cenários severos de déficit hídrico, o que amplia a preocupação das autoridades climáticas.
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica padrões atmosféricos em várias partes do planeta e influencia diretamente a distribuição de chuvas e temperaturas. No Brasil, historicamente, episódios de El Niño costumam provocar redução de precipitações em partes do Centro-Oeste e aumento de temperaturas em determinadas regiões.
Além dos impactos ambientais e econômicos, especialistas alertam para reflexos na saúde pública. Ondas de calor prolongadas podem elevar casos de desidratação, exaustão térmica e agravar problemas cardiovasculares, especialmente entre idosos e pessoas com doenças pré-existentes.
Diante do cenário de monitoramento, o Cimehgo informou que mantém alinhamento com a Defesa Civil para planejamento de medidas preventivas relacionadas a estiagem, queimadas e abastecimento hídrico. O órgão reforça, porém, que ainda não há confirmação de um evento extremo e que os próximos meses serão decisivos para definição do comportamento climático.


