Combustível acumula queda de R$ 0,42 por litro desde abril; maior produção da Petrobras e alívio no mercado internacional ajudam a reduzir valores
O preço do diesel segue em trajetória de queda no Brasil e registrou a sexta semana consecutiva de recuo após atingir o pico de R$ 7,58 por litro no início de abril. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel S-10 foi vendido na última semana ao preço médio de R$ 7,16 nos postos brasileiros, uma redução de R$ 0,04 em relação ao levantamento anterior.
Desde o maior patamar registrado neste ano, o combustível acumula queda de R$ 0,42 por litro. Apesar da redução recente, o valor ainda permanece mais de R$ 1 acima do período anterior à escalada dos preços internacionais do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio.
Especialistas do setor apontam que dois fatores principais ajudam a explicar a desaceleração dos preços: o alívio nas cotações internacionais do petróleo e o aumento da produção nacional de diesel. A Petrobras tem ampliado a utilização de refinarias e elevado a oferta interna do combustível, reduzindo a necessidade de importação.
Dados divulgados pela estatal mostram que as refinarias chegaram a operar acima da capacidade nominal em maio, em uma estratégia para ampliar a disponibilidade do produto no mercado nacional. A produção do diesel S-10 também atingiu níveis recordes no primeiro trimestre deste ano.
Outro fator que influencia o cenário é a queda no volume de importações. Até a terceira semana de maio, as compras externas de combustíveis registraram retração próxima de 30% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A redução reforça a maior participação do diesel produzido internamente no abastecimento do país.
O diesel tem impacto direto sobre a economia brasileira por ser o principal combustível utilizado no transporte rodoviário de cargas. Oscilações no preço costumam influenciar custos de frete e, consequentemente, preços de alimentos e produtos distribuídos pelo país.
O governo federal também mantém programas de subsídio para tentar evitar novas altas expressivas nos combustíveis. O mecanismo prevê ressarcimento financeiro para empresas que comercializem diesel abaixo de valores estabelecidos como teto pela política pública.
Mesmo com o cenário de redução, representantes do setor de combustíveis afirmam que o mercado continua atento às oscilações internacionais do petróleo, que ainda podem pressionar os preços nos próximos meses.


