Porangatu vive um capítulo decisivo na história de seu principal símbolo natural. A Lagoa Alexandrino Cândido Gomes, carinhosamente batizada de “Lagoa Grande” pela população, não passa por uma manutenção estrutural profunda desde 1987 e hoje sobrevive apenas do que as chuvas conseguem repor em seu leito. Para reverter décadas de descaso, uma vistoria técnica foi realizada nesta quinta-feira, 16 de julho, sobre um flutuante ancorado nas águas do cartão-postal municipal. Participaram do levantamento o presidente da Câmara Municipal, vereador Rafael Churuman, o secretário de Meio Ambiente, Igor Guimarães, e a bióloga Patrícia, que uniram forças para identificar, com precisão técnica e total transparência, as causas reais da degradação que incomoda moradores e comerciantes do município.
O diagnóstico apontou o verdadeiro vilão por trás da água esverdeada e do odor incômodo que tomou conta da lagoa: a eutrofização. Na prática, o espelho d’água se comporta como uma piscina que nunca troca de água — o excesso de matéria orgânica carregada pelas enxurradas despeja fósforo e nitrogênio em quantidades desproporcionais, alimentando uma explosão de algas que forma uma camada densa, popularmente comparada a uma “sopa de ervilhas”. Esse tapete verde bloqueia a entrada de luz solar e cria o ambiente perfeito para bactérias que liberam toxinas e mau cheiro. A resposta da atual gestão, no entanto, já está em curso: uma técnica moderna de biorremediação intensiva vem sendo aplicada na lagoa, com a introdução de bactérias benéficas capazes de decompor a poluição orgânica e devolver, de forma segura e gradual, o equilíbrio biológico das águas.
Mas a recuperação definitiva da Lagoa Grande não depende só da ciência — depende também de um pacto entre poder público e sociedade.

A população precisa fazer sua parte, abandonando de vez o descarte irregular de garrafas, sacolas e marmitas que agridem diariamente o ecossistema. Já o Legislativo assumiu publicamente seu compromisso: o vereador Rafael Churuman se comprometeu a intensificar articulações em Brasília em busca de recursos estaduais e federais que viabilizem obras definitivas de revitalização. Com novas licitações da prefeitura em andamento e projetos de infraestrutura no radar, Porangatu mostra que, unindo educação ambiental, ciência e vontade política, é plenamente possível transformar décadas de desgaste no renascimento do patrimônio natural mais precioso da cidade.



