A suspensão das importações de produtos brasileiros de origem animal pela União Europeia pode causar prejuízo de US$ 16,8 milhões por mês a Goiás, segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). O valor equivale a 8,1% das exportações goianas do setor e afeta, principalmente, a cadeia da carne bovina.
A medida passou a valer na quinta-feira (3) e, conforme a Fieg, não está relacionada à identificação de carne contaminada ou imprópria para consumo. A exigência europeia se refere à comprovação documental do cumprimento das regras para uso de antimicrobianos na criação animal, incluindo controles oficiais, registros e rastreabilidade durante todo o ciclo produtivo.
Em 2025, Goiás exportou US$ 190 milhões em produtos de origem animal para a União Europeia. Desse total, cerca de US$ 171 milhões vieram da carne bovina, responsável por aproximadamente 90% das vendas do segmento ao bloco europeu.
A gerente de Internacionalização da Fieg, Juliana Tormin, ressalta que a perda pode ultrapassar o volume de produtos que deixará de ser comercializado. Isso porque o mercado europeu remunera melhor os cortes nobres, enquanto outros destinos, como Estados Unidos e países asiáticos, costumam pagar menos, apesar de comprarem maior quantidade.
Frigoríficos goianos podem buscar novos mercados para redirecionar a produção, com possibilidades na China, nos Estados Unidos, no Japão, na Indonésia e na Coreia do Sul. A Fieg avalia, no entanto, que a mudança pode reduzir as margens de lucro de empresas estruturadas para atender ao mercado premium europeu.
O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou a Portaria SDA nº 1.617/2026, que proibiu o uso de antimicrobianos como aditivos para melhorar o desempenho animal e estabeleceu novos mecanismos de controle para produtos destinados à exportação. A adequação, porém, tende a ser lenta na pecuária bovina: um animal abatido aos 30 meses precisa atender às exigências desde o nascimento.
Em Goiás, os frigoríficos de Mozarlândia e Palmeiras de Goiás devem estar entre os mais impactados, por serem habilitados para exportar ao mercado europeu. A Fieg também alerta para o risco de outros países adotarem restrições semelhantes; a Noruega já suspendeu as importações como medida preventiva.


