Goiás Economia

Suspensão de importações pela União Europeia pode gerar perda de US$ 16,8 milhões por mês para Goiás

A suspensão das importações de produtos de origem animal brasileiros pela União Europeia pode representar uma perda de US$ 16,8 milhões por mês para Goiás, segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). O valor corresponde a 8,1% das exportações goianas de produtos de origem animal para o bloco europeu. A medida afeta principalmente a cadeia da carne bovina, responsável por cerca de 90% das vendas desses produtos para a região.

A suspensão entrou em vigor na quinta-feira (3) e está relacionada às exigências europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Segundo a Fieg, a decisão não foi motivada pela identificação de contaminação ou de carne imprópria para consumo. O problema apontado pela União Europeia é a falta de comprovação documental, por meio de controles oficiais, registros e sistemas de rastreabilidade, de que as regras sobre o uso dessas substâncias são cumpridas durante todo o ciclo produtivo.

A rastreabilidade funciona como um histórico do animal, reunindo informações desde o nascimento até o abate. Para a gerente de Internacionalização da Fieg, Juliana Tormin, a suspensão não significa que a carne brasileira exportada para a Europa tenha sido considerada contaminada.

Em 2025, Goiás exportou US$ 190 milhões em produtos de origem animal para a União Europeia. De janeiro a julho deste ano, foram US$ 95 milhões, cerca de 14% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. As carnes bovinas responderam por aproximadamente US$ 171 milhões das exportações goianas para o bloco no ano passado.

Entre os principais produtos estão as carnes bovinas desossadas congeladas, que representaram US$ 130,4 milhões das vendas em 2025. Outros US$ 41 milhões vieram de carnes bovinas desossadas frescas ou refrigeradas. Também fazem parte da pauta produtos como carne de frango e tripas.

Um dos impactos da suspensão é a necessidade de buscar novos mercados para a produção. China, Estados Unidos, Japão, Indonésia e Coreia do Sul aparecem como possíveis destinos. No entanto, segundo a Fieg, esses países normalmente pagam menos pela carne do que a União Europeia, considerada um mercado premium e que oferece maior remuneração pelos cortes nobres.

Em Goiás, os principais impactos devem atingir dois frigoríficos habilitados para exportar ao mercado europeu, localizados em Mozarlândia e Palmeiras de Goiás. As unidades foram estruturadas para atender ao segmento premium e trabalham com cortes de maior valor agregado.

O governo brasileiro já adotou medidas para tentar atender às exigências europeias. O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou a Portaria SDA nº 1.617/2026, que proibiu o uso de determinados antimicrobianos como aditivos para melhorar o desempenho animal e estabeleceu novos procedimentos de controle para a certificação de produtos destinados ao exterior.

A adaptação, porém, não deve ocorrer de forma imediata, principalmente na pecuária bovina. Isso porque o ciclo de produção é longo. Um bovino abatido aos 30 meses, por exemplo, precisa ter cumprido as exigências desde o nascimento. Dessa forma, mesmo com as adequações adotadas agora, o ciclo completo para produzir animais dentro dos novos critérios pode levar até 30 meses.

Além da perda direta nas vendas, a Fieg alerta para um possível efeito sobre outros mercados, caso países adotem medidas semelhantes ou reduzam as compras de produtos brasileiros por dúvidas relacionadas às condições sanitárias. A Noruega, por exemplo, já anunciou a suspensão das importações como medida de precaução.

A entidade também destaca que as exportações goianas e brasileiras para a União Europeia vinham crescendo desde 2023. Por isso, além da redução no faturamento, a suspensão interrompe uma trajetória de crescimento das vendas para um dos principais mercados consumidores.

Para a Fieg, a retomada das exportações depende da adequação dos controles de rastreabilidade, da abertura de novos mercados e de uma atuação conjunta entre governo e setor produtivo. A entidade defende ainda apoio técnico e financeiro, principalmente para pequenos e médios produtores que precisarão adequar e rastrear a produção destinada ao mercado europeu.

Andressa Oliveira

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