Tentativa de compensar exageros com jejum prolongado e restrição severa aumenta o estresse do corpo e atrasa os resultados
Janeiro chega, e com ele a pressa para consertar os exageros das festas de fim de ano. Muita gente corta comida, entra em dietas radicais ou aposta em jejuns prolongados achando que vai acelerar o emagrecimento. Mas o caminho, segundo especialistas, costuma ser outro — e perigoso.
Dados do Ministério da Saúde mostram que mais de 60% dos adultos brasileiros estão acima do peso e cerca de 22% convivem com obesidade. O consumo abusivo de álcool também pesa nesse cenário: aproximadamente 18% da população adulta relata exageros na bebida, hábito que costuma aumentar nas festas e impacta diretamente o fígado, a glicose no sangue e os processos inflamatórios do corpo.
Para o médico nutrólogo Arthur Rocha, o organismo chega ao início do ano longe do equilíbrio. “Depois das festas, o corpo costuma estar inflamado, com retenção de líquidos, resistência temporária à insulina, intestino desregulado e sono ruim. É um quadro de estresse metabólico”, explica.
É justamente nesse momento que as dietas muito restritivas podem fazer mais mal do que bem. Segundo o especialista, quando a pessoa reduz drasticamente a alimentação logo após um período de excessos, o corpo entra em modo de defesa. “O metabolismo desacelera, o cortisol, que é o hormônio do estresse, aumenta, a retenção de líquidos cresce e a perda de massa muscular acontece antes da queima de gordura”, alerta.
O resultado costuma frustrar quem está em busca de emagrecer rápido. Além de atrasar a perda de peso, a estratégia favorece o chamado efeito rebote. “A pessoa fica mais cansada, irritada e, depois, acaba entrando em episódios de compulsão alimentar”, pontua Arthur Rocha.
O jejum prolongado, tão popular nas promessas de ano novo, também exige cuidado. “Jejum não é castigo. Em um corpo inflamado e estressado, ele tende a preservar gordura, consumir massa magra e aumentar ainda mais o cortisol”, explica o nutrólogo.
Alguns sinais indicam que o organismo ainda não está pronto para estratégias agressivas: inchaço persistente, dificuldade de perder peso mesmo comendo pouco, sono ruim, intestino preso ou irregular, irritabilidade e vontade exagerada por açúcar ou álcool.
Para o especialista, janeiro não deve ser mês de punição, mas de reorganização. “Antes de emagrecer, é preciso desinflamar”, resume. A orientação passa por atitudes simples e possíveis no dia a dia: melhorar o sono, suspender o álcool por um período, beber mais água, priorizar alimentos simples, garantir proteína nas refeições, movimentar o corpo sem exageros e cuidar do intestino e do fígado.
“O emagrecimento mais eficiente acontece em fases. Preparar o corpo agora faz toda a diferença nos resultados lá na frente”, orienta Arthur Rocha. Em vez de pressa, constância — e menos sofrimento.



