Supremo Tribunal Federal (STF) determinou penas severas a cinco réus, incluindo os irmãos Brazão, marcando um desfecho histórico quase oito anos após o crime que chocou o país
Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta quarta-feira (25) os acusados de terem planejado e ordenado o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro. A decisão representa um desfecho considerado histórico para um dos casos mais emblemáticos de violência política no Brasil.
Os irmãos João Francisco Inácio Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão, e Domingos Inácio Brazão, foram sentenciados a mais de 76 anos de prisão cada um pelos crimes de duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa armada. Ambos foram apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como os mandantes do ataque contra Marielle e Anderson, motivado por interesses ligados a milícias e a disputas fundiárias no estado do Rio de Janeiro.
Além dos irmãos Brazão, outros três réus também foram condenados pelo STF. O major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira recebeu pena de 56 anos, enquanto o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa foi sentenciado a 18 anos pelos crimes de obstrução de justiça e corrupção passiva. Robson Calixto Fonseca, ex-assessor político ligado aos Brazão, foi condenado a 9 anos de prisão por participação em organização criminosa.
O crime teve repercussão nacional e internacional desde o momento em que ocorreu: Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro e ativista de direitos humanos, foi morta com vários disparos enquanto viajava com o motorista Anderson Gomes. A execução gerou comoção e protestos em todo o país, exigindo esclarecimento sobre os mandantes e responsáveis pelo crime.
O julgamento no STF teve como base delações premiadas e provas reunidas ao longo de anos de investigação, incluindo depoimentos de réus que já haviam sido condenados anteriormente pelo crime. A corte analisou também a tentativa de homicídio contra a assessora que estava no veículo com Marielle e que sobreviveu ao atentado.
Autoridades e familiares acompanharam a votação, e a condenação foi vista por especialistas como um marco no enfrentamento da violência política e da impunidade em casos de assassinatos com motivações ideológicas e discriminatórias, como aqueles que envolvem direitos humanos e ativismo social.


