Réu confesso, Cléber Rosa de Oliveira responde por homicídio e ocultação de cadáver no caso que chocou Goiás
A Justiça de Goiás iniciou nesta quarta-feira (7) a fase decisiva do processo que apura o assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves, morta em dezembro de 2025 em Caldas Novas. O objetivo da audiência de instrução é definir se o síndico Cléber Rosa de Oliveira, acusado e confesso do crime, será submetido a júri popular.
A sessão ocorreu no Fórum de Caldas Novas e durou mais de cinco horas. Ao longo da audiência, 13 testemunhas de acusação foram ouvidas pela magistrada responsável pelo caso. O processo ainda terá continuidade em julho, quando deverão ocorrer novas oitivas e o interrogatório do réu.
Cléber Rosa de Oliveira responde pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A Justiça avalia nesta etapa se existem provas suficientes para encaminhá-lo ao Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes dolosos contra a vida. A decisão não define culpa ou inocência, mas estabelece se o réu enfrentará julgamento popular.
O caso ganhou repercussão nacional após o desaparecimento de Daiane Alves, de 43 anos, em 17 de dezembro de 2025. A corretora foi vista pela última vez no condomínio onde morava e trabalhava, em Caldas Novas. Segundo as investigações, ela desceu até o subsolo do prédio após o desligamento proposital da energia elétrica de seu apartamento.
De acordo com a Polícia Civil, o corte de energia teria sido usado como parte de uma emboscada planejada pelo síndico. A investigação apontou que Daiane foi assassinada com disparos de arma de fogo ainda no subsolo do condomínio. Depois, o corpo teria sido levado para uma área de mata às margens da GO-213, onde permaneceu ocultado por cerca de 40 dias.
O avanço das investigações ocorreu após Cléber confessar o crime e indicar à polícia o local onde havia escondido os restos mortais da vítima. Outro elemento considerado decisivo foi a recuperação do celular de Daiane dentro da caixa de esgoto do condomínio. Vídeos encontrados no aparelho registraram os momentos que antecederam o ataque e se tornaram peça importante no inquérito policial.
Segundo o Ministério Público, o assassinato teria sido motivado por uma disputa profissional e uma série de conflitos entre a corretora e o síndico relacionados à administração de imóveis no condomínio. Antes do desaparecimento, Daiane já havia denunciado o acusado por perseguição e agressões.
Durante a audiência, familiares acompanharam os depoimentos de forma remota. A mãe da corretora, Nilse Alves, afirmou esperar que o processo resulte em justiça. “Estamos buscando a verdade”, declarou em entrevista a veículos locais.
A defesa do síndico tentou revogar a prisão preventiva, mas os pedidos foram negados pela Justiça de Caldas Novas, que considerou a gravidade do crime e o risco ao andamento do processo. Cléber permanece preso preventivamente enquanto aguarda a decisão sobre o júri popular.


