Investigação apura execução de dois homens em Porto Nacional; agentes são acusados de homicídio, fraude processual e organização criminosa
Uma operação da Polícia Civil do Tocantins resultou na prisão de 23 policiais militares suspeitos de participação em uma chacina registrada em Porto Nacional, na região central do estado. A ação foi deflagrada na sexta-feira (9) e cumpriu mandados judiciais em diferentes cidades tocantinenses.
Segundo as investigações, os militares são suspeitos de envolvimento na morte de dois homens ocorrida em março deste ano. A Polícia Civil afirma que há indícios de que as vítimas tenham sido executadas e que a cena do crime teria sido alterada para simular confronto armado.
A operação foi conduzida pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio do Ministério Público Estadual. Além das prisões preventivas, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra os investigados.
De acordo com a investigação, os policiais teriam perseguido as vítimas após uma abordagem e efetuado disparos mesmo quando os homens já não representavam ameaça. A suspeita central é de execução seguida de fraude processual para encobrir a dinâmica real dos fatos.
Os agentes presos poderão responder por crimes como homicídio qualificado, fraude processual, organização criminosa e abuso de autoridade. As penas, somadas, podem ultrapassar décadas de prisão caso haja condenação.
A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins informou que a operação busca garantir transparência nas investigações e afirmou que desvios de conduta não serão tolerados dentro das forças de segurança. Já a Polícia Militar declarou que acompanha o caso e colabora com as apurações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
O caso gerou forte repercussão no Tocantins devido ao número elevado de policiais investigados simultaneamente. Especialistas em segurança pública apontam que operações envolvendo suspeitas de execuções extrajudiciais costumam exigir investigações técnicas complexas, com análise balística, perícias e cruzamento de depoimentos.
As autoridades não divulgaram detalhes completos sobre a identidade das vítimas nem sobre o conteúdo dos depoimentos já colhidos, alegando necessidade de preservação das investigações. Os policiais presos devem passar por audiência de custódia e permanecerão à disposição da Justiça Militar e da Justiça comum enquanto o inquérito segue em andamento.


