Projeto avançou na Câmara Municipal e prevê criação de espaço inspirado no memorial do 11 de Setembro, em Nova York
Goiânia poderá ganhar um Museu e Memorial do Césio-137, iniciativa que busca preservar a memória de uma das maiores tragédias da história do Brasil e considerada o pior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear. O projeto de lei avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal e segue agora para votação em plenário.
A proposta é de autoria do vereador Lucas Kitão (Mobiliza) e prevê a criação de um espaço permanente dedicado à preservação da memória das vítimas, ao registro histórico do acidente e à conscientização sobre segurança radiológica. Ainda não há definição oficial sobre o local onde o memorial será instalado, decisão que ficará sob responsabilidade da Prefeitura de Goiânia caso a matéria seja aprovada.
Segundo o parlamentar, a inspiração veio de espaços internacionais voltados à preservação da memória de grandes tragédias históricas, como o Memorial e Museu do World Trade Center, em Nova York, criado após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. A ideia é construir um ambiente educativo e histórico voltado tanto para moradores quanto para visitantes.
O acidente com o Césio-137 aconteceu em Goiânia em 13 de setembro de 1987, após o abandono de um aparelho de radioterapia em uma antiga unidade médica desativada. O equipamento acabou sendo desmontado e a cápsula contendo material radioativo foi levada para um ferro-velho na região central da capital. O pó brilhante liberado pela substância despertou curiosidade e acabou sendo compartilhado entre familiares e vizinhos, provocando uma contaminação em larga escala.
Ao todo, quatro pessoas morreram em consequência direta da exposição à radiação e centenas sofreram algum nível de contaminação. Aproximadamente 112 mil pessoas passaram por monitoramento e exames durante a resposta emergencial ao acidente. Mais de mil pessoas foram atingidas direta ou indiretamente pelos impactos da tragédia.
Quase quatro décadas depois, os efeitos do episódio ainda permanecem presentes na cidade. Áreas da capital seguem monitoradas por órgãos especializados, enquanto familiares e associações de vítimas defendem ações permanentes de preservação histórica e conscientização pública.
Esta não é a primeira tentativa de criação de um espaço voltado ao tema. Em 2011, uma proposta semelhante foi apresentada na Câmara Municipal, mas acabou arquivada. O novo projeto surge em um momento de renovação do debate sobre memória histórica em Goiânia, impulsionado também por produções audiovisuais recentes e pela retomada da discussão pública sobre o impacto social do acidente.
Especialistas apontam que museus e memoriais cumprem papel importante na preservação da história e na construção da consciência coletiva sobre eventos traumáticos. Para defensores da proposta, o espaço pode contribuir tanto para educação científica quanto para valorização da memória das vítimas e das equipes que atuaram na contenção da tragédia.
Antes de entrar em vigor, o projeto ainda precisa ser aprovado em duas votações no plenário da Câmara Municipal e, posteriormente, sancionado pelo Executivo.


