Porangatu Investigação

Médico é preso em Porangatu durante investigação de importunação sexual; seis armas são apreendidas

Delegado afirma que cerca de 15 mulheres teriam relatado casos ao Ministério Público; defesa diz que ainda não teve acesso aos autos.

O médico ginecologista e legista Carlos Umberto Inácio Novais, de 71 anos, foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (8), em Porangatu, no norte de Goiás. A prisão ocorreu durante uma investigação da Polícia Civil sobre suspeitas de importunação sexual no exercício da profissão. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, seis armas de fogo e munições foram recolhidas.

A operação foi realizada pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) de Porangatu, por determinação da Justiça. Os policiais cumpriram mandados na residência do médico, no consultório onde ele atendia, na Policlínica Modelo, e em uma propriedade rural vinculada a ele.

Segundo o delegado Stanislao Mont’Serrat, o caso chegou ao conhecimento do Ministério Público de Goiás (MPGO) após ser levado ao órgão por um repórter. A partir disso, mulheres teriam prestado depoimentos ao Ministério Público, que acionou a Polícia Civil para dar andamento às investigações.

O delegado afirmou que recebeu a informação de que aproximadamente 15 mulheres teriam relatado situações ao MPGO. Ele ressaltou, porém, que esse número não corresponde necessariamente a denúncias formalizadas na delegacia. Segundo Mont’Serrat, até o momento, uma mulher havia comparecido à unidade policial para registrar oficialmente uma denúncia.

O delegado não detalhou as condutas relatadas pela mulher, em razão do sigilo da investigação e da natureza do caso.

Seis armas foram apreendidas

Durante as buscas, os policiais apreenderam seis armas de fogo, além de munições de diferentes calibres.

Na residência do médico, no Setor Oeste, foram encontrados dois revólveres municiados dentro de um veículo e uma arma longa guardada em um guarda-roupa no quarto do investigado. Também foram recolhidas munições.

Em uma propriedade rural vinculada ao médico, a equipe apreendeu duas espingardas, um revólver de fabricação caseira e outras munições. Já no consultório, localizado na Policlínica Modelo, no Setor Central, nenhum objeto de interesse para a investigação foi encontrado.

A Polícia Civil informou que as armas, as munições e os demais materiais apreendidos foram encaminhados para os procedimentos legais. As buscas tinham como objetivo localizar armas, celulares e outros elementos que pudessem contribuir para o esclarecimento dos fatos.

O médico foi conduzido à delegacia, passou por exame de corpo de delito e permaneceu à disposição da Justiça. Além da prisão preventiva no âmbito da investigação sobre os possíveis crimes sexuais, ele também foi autuado por suspeita de posse irregular de armas de fogo.

Atuação na rede pública

Carlos Umberto atuava como ginecologista em uma clínica particular e também já havia trabalhado no Hospital Municipal de Porangatu, onde realizava acompanhamento pré-natal, segundo informações repassadas pelo delegado.

O médico também é servidor efetivo da Polícia Científica do Estado de Goiás, na função de médico legista.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Porangatu informou que determinou o afastamento temporário do profissional assim que tomou conhecimento das denúncias. A pasta também instaurou um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os fatos.

“A Secretaria se solidariza com todas as mulheres que relataram possíveis situações de abuso e repudia qualquer forma de violência ou abuso sexual”, declarou a secretaria.

A administração municipal informou ainda que o caso está sendo apurado pelas autoridades competentes e que, caso sejam comprovadas irregularidades, serão adotadas as medidas administrativas e legais cabíveis.

Defesa afirma que ainda não teve acesso aos autos

O advogado Joas França, que representa o médico, informou que o cliente foi preso por determinação judicial, mas afirmou que a defesa ainda não teve acesso aos autos da investigação nem às acusações detalhadas.

Segundo o advogado, a defesa pretende consultar o processo para conhecer os elementos reunidos pelas autoridades e adotar as medidas legais cabíveis.

França informou também que o médico pagou fiança referente à ocorrência envolvendo as armas de fogo. No entanto, conforme o advogado, ele deverá permanecer preso em cumprimento ao mandado de prisão preventiva relacionado à investigação principal, sendo encaminhado ao presídio de Porangatu.

A defesa afirmou que tomará as providências necessárias após ter acesso à documentação do caso.

As investigações da Polícia Civil continuam sob sigilo.

REDE SERRA AZUL

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