Mobilização reúne forças policiais para combater o crime organizado e localizar foragidos; mortes seguem sob investigação, e defesa aponta irregularidades nas prisões de dois suspeitos
Uma operação integrada com 250 agentes foi lançada em Anápolis nesta quarta-feira (21) para reforçar o policiamento e combater o crime organizado. Batizada de Vis Civitatis, a mobilização começou três dias após o assassinato de Hiago Almeida dos Santos e Ana Carolina Maia, mortos a tiros em frente à distribuidora de bebidas do casal.
A ação reúne equipes das polícias Militar e Civil, incluindo unidades especializadas. Entre os objetivos estão ampliar a presença policial na cidade, executar atividades de enfrentamento à criminalidade e encontrar pessoas procuradas pela Justiça.
Durante o lançamento, o governador Daniel Vilela (MDB) afirmou que a atuação conjunta busca garantir segurança à população. Ele também declarou que nenhuma facção criminosa exerce controle territorial em Goiás.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a programação prevê atuação até a madrugada de sábado (24) e suspensão no domingo, atribuída pela pasta à legislação eleitoral. A secretaria informou que as atividades serão retomadas posteriormente e continuarão enquanto houver necessidade de reforço policial no município.
Unidades especializadas participam das ações
A Polícia Civil empregará o Grupo Tático 3 (GT3), além de outras equipes especializadas. Pela Polícia Militar, participam agentes do Comando de Missões Especiais (CME).
Após o lançamento, o Governo de Goiás divulgou indicadores que apontam redução de 82% nos latrocínios e de 62% nos homicídios dolosos. As informações apresentadas no material, porém, não especificam o período utilizado na comparação.
Casal foi atacado em estabelecimento aberto havia quatro meses
Hiago e Ana Carolina foram mortos no domingo (18). Segundo a Polícia Civil, duas pessoas em uma motocicleta passaram pelo estabelecimento e efetuaram os disparos.
A distribuidora havia sido inaugurada aproximadamente quatro meses antes. O Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Anápolis conduz a apuração das mortes.
Dois investigados chegaram a ser presos após o crime, mas foram liberados por determinação da 3ª Vara Criminal de Anápolis na audiência de custódia de segunda-feira (19). O juízo não homologou o auto de prisão em flagrante e determinou o relaxamento das detenções.
Defesa afirma que abordagem ocorreu sete horas depois do crime
Em nota, os advogados Thaynara Oliveira e Kalleb Reis, responsáveis pela defesa dos investigados, afirmaram que a Justiça identificou ausência de situação de flagrante.
Conforme a manifestação, os dois foram abordados cerca de sete horas depois dos assassinatos, em outro município. Os advogados sustentam que não houve perseguição e que nenhum objeto relacionado ao crime foi encontrado com eles no momento da abordagem.
A defesa também relatou que a decisão judicial registrou entradas em uma residência e em uma propriedade rural aparentemente sem mandado. Ainda segundo os advogados, o juízo apontou irregularidades nas confissões informais atribuídas aos suspeitos, que teriam sido obtidas em locais isolados, apenas na presença de policiais.
De acordo com a nota, os relatos apresentados na audiência levaram o magistrado a determinar o encaminhamento de cópias do processo ao Ministério Público e à Corregedoria da Polícia Militar.
Os advogados manifestaram solidariedade às famílias das vítimas e defenderam que o esclarecimento das mortes ocorra por meio de uma investigação conduzida dentro da lei. Também ressaltaram que a soltura não encerra a apuração, que permanece em andamento.


