Ex-jogador teve liberdade condicional revogada após descumprir regras impostas pela Justiça e atuar no futebol sem autorização judicial
O ex-goleiro Bruno Fernandes foi preso na noite desta quinta-feira (7), em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, após passar cerca de dois meses foragido da Justiça. Condenado pelo assassinato de Eliza Samudio, mãe de um de seus filhos, Bruno foi localizado por policiais militares e encaminhado à 127ª Delegacia de Polícia, em Armação dos Búzios.
Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o ex-jogador era considerado foragido desde março deste ano, quando a Vara de Execuções Penais revogou o benefício da liberdade condicional concedido anteriormente. A decisão ocorreu após Bruno descumprir condições impostas pela Justiça para permanecer em liberdade.
De acordo com o processo, Bruno deixou o estado do Rio de Janeiro sem autorização judicial para atuar pelo Vasco-AC, no Acre. O ex-atleta participou de treinamentos, foi registrado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e chegou a disputar uma partida oficial pela equipe acreana.
A Justiça entendeu que a viagem violou diretamente as regras do livramento condicional. Na decisão que determinou a prisão, o juiz Rafael Estrela Nóbrega afirmou que o comportamento do ex-goleiro demonstrou “descaso” com as condições impostas pelo benefício judicial.
Além da viagem sem autorização, o Ministério Público do Rio de Janeiro apontou outras irregularidades, como falta de atualização de endereço e presença em locais proibidos pelas regras da execução penal. Após a revogação do benefício, Bruno não se apresentou voluntariamente à Justiça, passando então à condição de foragido.
Bruno Fernandes foi condenado em 2013 a mais de 22 anos de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado no caso envolvendo Eliza Samudio. O crime teve grande repercussão nacional e se tornou um dos casos criminais mais emblemáticos do país.
Após anos em regime fechado, o ex-goleiro conseguiu progressão para o semiaberto em 2019 e obteve liberdade condicional em 2023. Desde então, tentou retomar a carreira no futebol, passando por clubes de menor expressão em diferentes estados brasileiros.
A prisão desta quinta-feira reacende o debate sobre concessão de benefícios penais a condenados por crimes de grande repercussão e sobre os mecanismos de fiscalização do cumprimento das condições impostas pela Justiça.


