Goiânia

Policial aposentado é resgatado em estado grave e com sinais de maus-tratos em Goiânia; filho adotivo é preso

Idoso de 66 anos foi encontrado desnutrido, desidratado e com lesões pelo corpo após familiares conseguirem visitá-lo; Polícia Civil pediu a prisão preventiva do suspeito

Um policial aposentado de 66 anos foi resgatado em estado grave de saúde no Jardim Novo Mundo, em Goiânia, após ser encontrado com sinais de desnutrição severa, lesões pelo corpo e indícios de maus-tratos. O caso foi registrado na segunda-feira (13) e resultou na prisão em flagrante de um homem de 25 anos, apontado pela Polícia Civil como filho adotivo e responsável pelos cuidados do idoso.

Segundo as investigações, o aposentado foi encaminhado inicialmente para uma unidade de saúde da capital e permanece internado sob cuidados médicos. O estado de saúde dele é considerado delicado.

A defesa do suspeito não foi localizada até a última atualização do caso.

Familiares acionaram socorro após visita

De acordo com o delegado Eduardo Carrara, responsável pela investigação, o resgate ocorreu após as irmãs do aposentado conseguirem visitá-lo na residência onde ele vivia com o jovem.

As familiares relataram à polícia que enfrentavam dificuldades para ter acesso ao idoso e que as visitas eram frequentemente restringidas pelo suspeito. Conforme os depoimentos, quando autorizadas, elas só podiam vê-lo por uma janela da casa.

“Ontem eles insistiram bastante, foi quando o filho adotivo permitiu que as irmãs visitassem ele. De imediato, vendo a condição que estava o idoso, elas acionaram o Corpo de Bombeiros”, afirmou o delegado.

Ao entrarem no imóvel e encontrarem o aposentado em condições consideradas alarmantes, os familiares solicitaram atendimento emergencial.

Equipe médica constatou quadro grave

O idoso foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim América, onde passou por avaliação médica. Segundo informações repassadas à Polícia Civil, os profissionais de saúde identificaram sinais compatíveis com negligência e maus-tratos.

Em relatório encaminhado às autoridades, a equipe médica descreveu um quadro clínico extremamente preocupante.

“Segundo o médico que realizou o atendimento, o paciente encontrava-se em estado geral grave, com pouca resposta a estímulos, secreção purulenta e odor forte em região sacral e glútea bilateral. Apresentava-se caquético, desidratado e desnutrido, com saída de secreção pela cavidade oral”, informou a Polícia Civil.

Diante da gravidade da situação, a Polícia Militar foi acionada e iniciou os procedimentos que culminaram na prisão do responsável pelos cuidados do aposentado.

O delegado Eduardo Carrara relatou que o estado em que a vítima foi encontrada dificultava qualquer tentativa de coleta de depoimento.

“Não tinha condição nenhuma de ouvir o idoso. Ele estava praticamente morto. Não falava, não tinha forças para nada, muito desnutrido. Estado deplorável”, afirmou.

Suspeito alegou agravamento de problemas de saúde

Durante o interrogatório, o jovem informou à polícia que o pai adotivo já apresentava problemas de saúde e que o quadro teria se agravado nos últimos meses. Segundo sua versão, o próprio idoso teria decidido interromper o tratamento médico.

Para a Polícia Civil, entretanto, o argumento não afasta a responsabilidade de quem estava encarregado de prestar assistência à vítima.

“Ele quis dizer que a situação daquele idoso foi culpa dele, mas isso a gente sabe que não, pois ele como responsável pelo idoso tinha que ter levado o idoso a um hospital”, ressaltou o delegado.

Prisão em flagrante e pedido de preventiva

O homem de 25 anos foi preso em flagrante e deverá responder, inicialmente, pelo crime de deixar de prestar assistência à saúde de pessoa idosa sob sua responsabilidade.

A Polícia Civil também solicitou à Justiça a conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva. O suspeito deve passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (14).

As investigações continuam para apurar as circunstâncias em que o aposentado vivia, bem como eventual prática de outros crimes relacionados à situação de abandono e aos indícios de maus-tratos constatados pelas autoridades.

João Eufrásio

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Jornalista com experiência em comunicação pública e atuação na cobertura regional. Iniciou a carreira como assessor de comunicação entre 2022 e 2025, período em que trabalhou com produção de conteúdo institucional, relacionamento com a imprensa e organização de informações públicas. Em 2026, passou a atuar no setor privado como repórter da TV Serra Azul, com foco no levantamento, apuração e apresentação de notícias voltadas ao norte de Goiás. Seu trabalho acompanha o dia a dia da região, abordando temas de interesse local e buscando contextualizar os fatos de forma clara. Ao longo da trajetória, desenvolveu prática em diferentes formatos de comunicação e adaptação a rotinas diversas do jornalismo, mantendo atenção à clareza das informações e à relevância das pautas para o público.

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