Pastoral da Moradia atua desde 2002 e pretende entregar 12 imóveis em 2026; cada obra custa, em média, R$ 45 mil e mobiliza voluntários para atender famílias em situação de vulnerabilidade
Ter um terreno nem sempre é suficiente para realizar o sonho da casa própria. Para famílias que não conseguem arcar com materiais e serviços de construção, a falta de recursos pode adiar esse objetivo por anos. Em Goiânia, uma iniciativa ligada à Paróquia Santo Inácio de Loyola trabalha há mais de duas décadas para ajudar pessoas nessa situação.
A Pastoral da Moradia reúne doadores, profissionais da construção civil e voluntários de diferentes áreas para erguer casas na capital e em outros municípios goianos. Criado em abril de 2002 por seis casais, o grupo já ultrapassou a marca de 200 moradias e, segundo o vice-presidente Silvio Araújo, está próximo de concluir a unidade de número 227.
Atualmente, mais de 75 participantes atuam na iniciativa. A colaboração ocorre de diferentes maneiras: há quem doe materiais, contribua financeiramente, trabalhe nos canteiros de obras ou ajude na organização das atividades e no atendimento às famílias.
Para 2026, a meta é entregar 12 casas, mantendo uma média de uma construção por mês. Araújo afirma que a expectativa é cumprir o planejamento. No ano anterior, a insuficiência de recursos limitou o trabalho a nove entregas, três abaixo do objetivo estabelecido.
Trabalho começou com seis casais
A criação da pastoral foi motivada pela participação de seus fundadores no Encontro de Casais com Cristo (ECC). Após a experiência religiosa, os seis casais decidiram organizar uma ação de solidariedade voltada a pessoas sem condições financeiras de construir a própria moradia.
A primeira casa registrada no catálogo do projeto foi destinada a Luiz Prudêncio de Lima, em Senador Canedo, em abril de 2002. Desde então, a pastoral mantém um acervo com os nomes dos beneficiários, as cidades atendidas e fotografias das obras.
Entre os registros mais recentes estão as moradias de Vanissa Silva da Conceição, no Setor Top do Lago, em Senador Canedo, e de Nilva Carvalho, em Aparecida de Goiânia.
Para Araújo, as trajetórias das famílias atendidas ajudam a sustentar o envolvimento dos voluntários. Ele destaca que cada entrega representa a superação de dificuldades particulares e reforça a motivação do grupo para continuar o trabalho.
Escolha dos beneficiários envolve visitas e avaliação coletiva
O atendimento começa com a identificação de uma família que precisa de apoio. As indicações podem partir de membros da paróquia, doadores, antigos beneficiários ou pessoas que conhecem a atuação da pastoral. Também é possível procurar a organização pelo site ou pelas redes sociais.
Antes de assumir uma obra, a equipe realiza uma triagem. Os voluntários visitam o local onde a casa poderá ser construída e avaliam as condições sociais e financeiras dos moradores.
As informações reunidas são levadas a uma assembleia. Nessa etapa, integrantes da coordenação analisam o caso e votam para definir se a família atende aos critérios da iniciativa.
Segundo Araújo, a vulnerabilidade social e a falta de condições para custear a construção são os principais fatores considerados. A avaliação também inclui a documentação do terreno, para verificar se existe segurança jurídica para executar o projeto.
Família precisa ter terreno para receber a construção
A pastoral não fornece lotes. Para ser beneficiada, a família precisa possuir um terreno ou estar em processo de aquisição, inclusive por financiamento ou parcelamento com uma imobiliária.
Nos casos em que o pagamento ainda está em andamento, a equipe verifica se o imóvel está em nome do beneficiário e se as prestações estão em dia. Um dos requisitos informados pela organização é que pelo menos dez parcelas já tenham sido quitadas.
Esse cuidado busca reduzir a possibilidade de perda do terreno por inadimplência depois que os recursos e o trabalho dos voluntários forem empregados na construção.
A análise documental, portanto, acompanha a avaliação das necessidades da família e integra a decisão sobre a viabilidade da obra.
Custo médio de cada moradia é de R$ 45 mil
Com a aprovação do atendimento, o grupo passa a organizar os recursos necessários para construir a casa. A arrecadação é contínua e inclui campanhas e vídeos divulgados nas redes sociais.
De acordo com Araújo, o custo médio de cada unidade é de R$ 45 mil. O valor envolve os materiais e os serviços necessários para concluir a moradia, incluindo a contratação de profissionais especializados na fase de acabamento.
A relação de materiais divulgada pela pastoral inclui:
- 2,5 mil tijolos furados e 200 tijolos comuns;
- 1 metro cúbico de brita zero e 8 metros cúbicos de areia média;
- 30 sacos de cimento;
- 16 telhas Eternit de 3,66 metros e oito cumeeiras;
- Um kit de banheiro;
- Quatro portas de 80 centímetros e uma de 60 centímetros;
- Quatro janelas de 1,20 metro e uma janela para o banheiro;
- Uma pia de cozinha;
- Cinco latas de tinta branca.
As contribuições podem atender a diferentes necessidades da obra. Além do dinheiro usado na compra de materiais e no pagamento de serviços especializados, a organização recebe diretamente os itens de construção.
O apoio também se estende às necessidades dos moradores. Roupas, alimentos, brinquedos e móveis são arrecadados para as famílias atendidas.
Mutirão reúne até 50 pessoas para levantar paredes e instalar o telhado
A execução de uma casa costuma levar cerca de três semanas e é organizada em três fases. A primeira é dedicada à fundação, responsável pela sustentação da estrutura. Geralmente, esse serviço é realizado em um sábado, com a participação dos voluntários.
No sábado seguinte ocorre a maior mobilização no canteiro. Entre 35 e 50 pessoas costumam participar do mutirão para erguer as paredes e instalar a cobertura.
Segundo Araújo, os trabalhos começam às 7h e, por volta das 13h, a casa já pode estar coberta. Ao fim dessa etapa, os participantes costumam almoçar dentro da própria construção, compartilhando o resultado do trabalho realizado naquela manhã.
A última fase reúne os serviços de acabamento, como instalação elétrica, assentamento do piso cerâmico e colocação do vaso sanitário. Por exigirem conhecimento técnico específico, essas atividades ficam sob responsabilidade de profissionais especializados.
Depois da conclusão desses serviços, a moradia fica pronta para receber a família.
Arrecadação e renovação da equipe são os principais desafios
A continuidade das entregas depende tanto da entrada de doações quanto da disponibilidade de pessoas para trabalhar. Mesmo após mais de duas décadas de atuação, a pastoral enfrenta dificuldades para reunir o valor necessário a cada obra e manter os mutirões com equipes suficientes.
Boa parte dos participantes tem 50 ou 60 anos ou mais. Entre os voluntários, há pessoas de 70 e 78 anos que seguem contribuindo com as atividades.
Araújo avalia que a participação dos jovens ainda é pequena diante das necessidades do projeto. Como parte dos serviços demanda esforço físico, atrair novos integrantes é uma preocupação para os próximos anos.
A renovação da equipe é considerada importante para sustentar o ritmo das construções. Ao mesmo tempo, a experiência de 2025, quando a falta de dinheiro reduziu o número de casas entregues, demonstra o impacto da arrecadação sobre o planejamento anual.
Como apoiar as próximas construções
Quem deseja contribuir pode oferecer trabalho voluntário, doar materiais ou ajudar financeiramente. Também há espaço para colaborar com a organização das atividades e o apoio às famílias.
A chave Pix informada pela pastoral é pix@pastoraldamoradia.com.br, vinculada à conta da Pastoral da Moradia no Sicoob, da Arquidiocese de Goiânia. Para obter o recibo, o doador deve procurar a coordenação após realizar a transferência.
Outra forma de participar é procurar o plantão da pastoral durante as missas de domingo, às 7h30 e às 19h30, na Paróquia Santo Inácio de Loyola, em Goiânia.
O site e as redes sociais da Pastoral da Moradia disponibilizam informações sobre o trabalho e as formas de colaboração. Além dos materiais utilizados nas casas, o grupo recebe roupas, brinquedos, móveis e alimentos para os beneficiários.
