Organização liderada por três irmãos comprava drogas e armas em países vizinhos e enviava entorpecentes para a Europa; mandados são cumpridos em Goiás e outros seis estados.
Uma organização criminosa liderada por três irmãos e outros integrantes da mesma família é alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal, deflagrada nesta quarta-feira (4). O grupo é investigado por tráfico internacional de drogas e armas, além de movimentar mais de R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos.
A Operação IFRIT cumpre 76 mandados de busca e apreensão em sete estados, incluindo Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia e Santa Catarina. A ação também investiga possíveis vínculos entre a organização e agentes públicos que teriam fornecido informações e apoio ao esquema criminoso.
Segundo as investigações, o comando da organização era concentrado em um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes. A estrutura tinha integrantes responsáveis por diferentes funções, como administração financeira, transporte, logística, segurança armada e distribuição dos entorpecentes.
A investigação aponta que o grupo comprava drogas e armas na Bolívia, no Paraguai e no Peru. As cargas entravam no Brasil pela fronteira de Mato Grosso do Sul e eram distribuídas para outros estados, principalmente São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Parte dos entorpecentes também era enviada para a Europa, com destaque para Espanha e Portugal.
Estrutura contava com veículos blindados e armas pesadas
Para proteger as atividades criminosas, a organização utilizava armamentos de alto poder ofensivo, veículos blindados, drones e equipamentos de comunicação.
De acordo com a PF e a Receita Federal, o grupo também mantinha estruturas de proteção para integrantes armados e utilizava estratégias de contrainteligência para dificultar o trabalho das autoridades e evitar a descoberta das atividades.
As apurações identificaram ainda possíveis vínculos com facções criminosas e a participação de agentes públicos. Segundo os investigadores, policiais teriam repassado informações estratégicas e oferecido apoio à organização.
Delegado investigado também foi alvo de operação
Entre os alvos da Operação IFRIT está o delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa. Ele já havia sido preso em setembro, durante a Operação Infiltrados, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Na ocasião, o delegado era investigado por suspeita de utilizar o cargo público para desviar drogas apreendidas em ocorrências policiais e repassá-las a uma organização criminosa.
O advogado João Pedro Fialho confirmou que a residência do delegado foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta quarta-feira e informou que ainda não havia conversado com o cliente.
Outro policial civil, Douglas Tobias, também foi alvo da operação. Ele havia sido preso na mesma investigação conduzida pelo Gaeco.
A defesa de Douglas informou que acompanhou o cumprimento das buscas, mas ainda não teve acesso aos autos da investigação. Em nota, o advogado Luiz Renê afirmou que o cliente está à disposição das autoridades e confia no esclarecimento dos fatos.
Dinheiro circulava por empresas e contas de terceiros
As investigações financeiras identificaram que a organização movimentou mais de R$ 500 milhões em aproximadamente dois anos.
Para dificultar o rastreamento dos valores, o grupo utilizava contas bancárias de investigados e operadores financeiros, empresas de fachada e negócios simulados. A Receita Federal também identificou indícios de ocultação de patrimônio e utilização de terceiros para esconder os verdadeiros proprietários dos recursos.
Grupo atuava pelo menos desde 2018
De acordo com a Polícia Federal, a organização mantinha uma estrutura criminosa estável desde pelo menos 2018.
A investigação começou a partir de informações compartilhadas de outro procedimento policial. Com autorização judicial, foram realizadas análises bancárias, fiscais, patrimoniais e de comunicações, além de diligências de campo.
A operação mobiliza cerca de 450 policiais federais, 22 auditores-fiscais e sete analistas tributários da Receita Federal para cumprir as 76 ordens judiciais nos sete estados.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e aprofundar a apuração sobre a atuação da organização e a possível participação de agentes públicos.


