Família denuncia possível negligência no atendimento em Porangatu antes da transferência para Uruaçu. Prefeitura diz que sindicância segue em andamento, enquanto MPGO afirma não ter recebido informações específicas sobre o caso.
Dez dias após a morte de Adriana Inácio Silva, de 42 anos, a família ainda enfrenta o luto pela perda da gestante e dos dois filhos que ela esperava. Além da dor, os familiares cobram respostas sobre o atendimento recebido por Adriana no Hospital Municipal de Porangatu e denunciam possível negligência antes da transferência dela para o Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu.
Adriana estava grávida de gêmeos e tinha 36 semanas de gestação. Segundo a família, ela permaneceu internada no Hospital Municipal de Porangatu antes de ser encaminhada para o HCN.
Já em Uruaçu, Adriana precisou passar por uma cesariana de emergência. Um dos bebês já estava sem vida. Após o procedimento, a gestante foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu às complicações e morreu no dia 10 de setembro.
Segundo a filha, Jéssica Karolayne, Adriana apresentou um quadro de pré-eclâmpsia e síndrome de HELLP, uma complicação grave da gestação que pode provocar alterações nas enzimas do fígado, queda das plaquetas e destruição de glóbulos vermelhos.
O corpo de Adriana foi sepultado no dia 11 de setembro, no Cemitério Espírito Santo, em Porangatu. O segundo bebê, que havia nascido com vida e permanecia internado em estado grave em uma UTI Neonatal de Uruaçu, também morreu no dia 12 de setembro.
Desde então, Jéssica tem compartilhado nas redes sociais mensagens sobre a perda da mãe e dos irmãos e relatos sobre o sofrimento vivido pela família.
Segundo Jéssica, um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Civil para que as circunstâncias do caso sejam apuradas.
MPGO DIZ QUE CASO DE ADRIANA NÃO CHEGOU FORMALMENTE À PROMOTORIA
Procurado pela Rede Serra Azul, o Ministério Público de Goiás (MPGO) informou, por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Porangatu, que não recebeu formalmente informações, denúncias ou documentos relacionados especificamente ao atendimento de Adriana ou à morte dela.
Por esse motivo, segundo o órgão, não havia procedimento específico instaurado para apurar o caso.
O MPGO informou, porém, que segue acompanhando outras questões relacionadas ao Hospital Municipal Henrique Antônio Santillo. Entre os pontos monitorados estão a estrutura da unidade, a gestão, o abastecimento de medicamentos e insumos, os pagamentos a profissionais e fornecedores e a continuidade dos serviços hospitalares.
PREFEITURA DIZ QUE SINDICÂNCIA CONTINUA
Em nota enviada à Rede Serra Azul, a Prefeitura de Porangatu informou que a sindicância relacionada à morte de Adriana permanece em andamento e que ainda não há conclusão definitiva sobre o caso.
O Município também afirmou que o Hospital Municipal é administrado pelo Instituto Alcance e que está cobrando da instituição as providências e os esclarecimentos necessários diante das questões relacionadas à unidade.
Segundo a Prefeitura, cabe ao Município acompanhar e fiscalizar os serviços prestados pelo hospital.
FAMÍLIA AGUARDA ESCLARECIMENTOS
A família de Adriana afirma que busca respostas sobre o atendimento recebido por ela no Hospital Municipal de Porangatu antes da transferência para Uruaçu.
A denúncia de possível negligência feita pelos familiares segue sendo investigada pelas autoridades competentes.


