Déborah e Roberta de Oliveira Ribeiro respondem por feminicídio de Deise Carmen de Oliveira Ribeiro, morta a facadas em dezembro de 2025.
As irmãs Déborah de Oliveira Ribeiro e Roberta de Oliveira Ribeiro, indiciadas pelo feminicídio da própria mãe, Deise Carmen de Oliveira Ribeiro, participaram de uma audiência de instrução realizada nesta terça-feira (22). A sessão faz parte do processo que investiga a morte da empresária, ocorrida em dezembro de 2025, no município de Peixe, no sul do Tocantins.
Segundo as investigações da Polícia Civil, Deise foi morta a facadas em uma área rural próxima à Vila Quixaba. O corpo foi levado até o Rio Santa Tereza e localizado no dia 1º de janeiro de 2026, após a empresária ter sido dada como desaparecida.
O marido da vítima, José Roberto Ribeiro, também foi preso durante as investigações por suspeita de atrapalhar a apuração. Ele foi solto em abril e responde ao processo em liberdade. A Polícia Civil afirmou que não havia indícios de que ele tenha participado diretamente do assassinato.
De acordo com a investigação, as filhas dependiam da mãe para manter determinado padrão de vida e teriam interesse no controle da empresa da família. O delegado João Paulo Sousa Ribeiro afirmou anteriormente que as duas consideravam a mãe um “embaraço”.
“Um dos conflitos maiores foi o pai ter dado um cartão para uma das filhas para ela gastar, e a mãe não concordava com isso. Então, as filhas viam a mãe como um embaraço na vida delas. A partir do momento em que a mãe faltasse, elas iam ter total controle, […] e isso [a empresa] ia passar para elas, e elas iam ter total controle”, explicou o delegado João Paulo Sousa Ribeiro.
O Ministério Público do Tocantins informou que apresentou, em abril, uma ação penal contra quatro familiares pelo feminicídio de Deise. Além das duas filhas e do marido da vítima, também responde ao processo o genro Mateus Viana de Oliveira, namorado de Déborah, que está em liberdade.
Segundo o MPTO, o crime teria sido planejado por questões patrimoniais relacionadas ao controle de uma fábrica da família e também para impedir que Deise concluísse o processo de divórcio.
A Polícia Civil também informou que as duas filhas teriam comprado um celular registrado no nome da mãe e utilizado o aparelho para enviar mensagens a familiares, dando a entender que Deise teria saído de casa por vontade própria. Segundo a investigação, a estratégia teria como objetivo atrasar as buscas pela empresária.
Ainda conforme a apuração, apesar de uma das irmãs ter tentado atribuir a responsabilidade pelo crime exclusivamente à outra, dados técnicos obtidos por meio de sinais de telefonia e conexões de internet apontariam que ambas estavam no local do assassinato.
No caso de José Roberto, a investigação aponta que ele teria apagado mensagens e ocultado o veículo utilizado pelas filhas para transportar o corpo da vítima. Segundo a polícia, a conduta teria dificultado as investigações.
A defesa de Déborah, Roberta e João Paulo afirmou que a audiência de instrução era uma oportunidade para esclarecer os fatos e confrontar as provas perante o Poder Judiciário.
Confira a nota da defesa na íntegra:
Amanhã teremos uma etapa importante do processo: a audiência de instrução, oportunidade em que os fatos poderão ser devidamente esclarecidos.
Esse é um caso grave e de grande repercussão, mas acusação não é condenação. É na instrução que as provas serão submetidas ao contraditório e pontos relevantes poderão ser esclarecidos. Nem tudo necessariamente aconteceu como foi apresentado até aqui.A defesa confia que a audiência permitirá uma análise mais completa dos acontecimentos, a partir das provas efetivamente produzidas perante o Poder Judiciário.
O que se espera é que os fatos sejam examinados para além das conclusões construídas na fase investigativa, assegurando-se às partes a oportunidade de serem ouvidas e de confrontarem as provas. Somente ao final do processo, com a análise do conjunto probatório, será possível decidir sobre a existência ou não de responsabilidade penal.
A defesa seguirá exercendo seu trabalho de maneira técnica e responsável, com respeito à memória da vítima, à seriedade dos fatos e às instituições.
A defesa de Mateus Viana de Oliveira também foi procurada, mas não havia informado seu posicionamento até a última atualização do material.
O processo continua em tramitação na Justiça do Tocantins. Não foram informadas, no material fornecido, decisões tomadas após a audiência de instrução.


