Evento reuniu prefeitos e representantes de cinco municípios para apresentação de estudos que projetam cenários até 2036 e propõem ações para fortalecer o turismo, gerar empregos, atrair investimentos e reduzir a dependência da mineração.
A Câmara Municipal de Alto Horizonte, no Norte de Goiás, sediou, na tarde desta quarta-feira (4), um importante encontro voltado ao planejamento do desenvolvimento econômico regional. O evento apresentou o projeto Rota Turística do Norte de Goiás e os estudos de Cenários Prospectivos 2026–2036, que apontam caminhos e escolhas estratégicas para o crescimento sustentável dos municípios nos próximos dez anos.
O encontro contou com a presença do prefeito anfitrião, Diogo Rodrigues, do prefeito de Uruaçu, conhecido como Machadinho, além de representantes dos municípios de Mara Rosa, Nova Iguaçu de Goiás e Campinorte. A reunião reforçou a importância da integração entre as administrações municipais para aproveitar as potencialidades econômicas, culturais e turísticas da região.
A apresentação foi conduzida por Maria Cristina Alves Dutra, do Celeiro Cerrado, responsável por apresentar a proposta de desenvolvimento regional e as oportunidades identificadas nos estudos técnicos.
Entre os dados apresentados, um dos destaques foi a posição de Alto Horizonte como uma das principais âncoras minerais do Norte goiano. O município registra um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de aproximadamente R$ 102 mil, conforme dados do IBGE referentes a 2023, utilizados no estudo. O indicador evidencia a força da atividade mineral na economia local, mas também chama a atenção para a necessidade de diversificar as fontes de renda e preparar o município para o futuro.
Projeto busca transformar potencial regional em oportunidades econômicas
A iniciativa é desenvolvida pelo Celeiro Cerrado e pela Agenda Pública, com financiamento âncora da mineradora Lundin Mining e participação das prefeituras parceiras.
O Celeiro Cerrado atua como uma instituição de desenvolvimento e inovação territorial, reunindo funções de agência de desenvolvimento, escritório de projetos e centro de articulação de tecnologia e inovação.
O objetivo é transformar a riqueza produzida atualmente na região em benefícios econômicos duradouros, por meio do fortalecimento do empreendedorismo, da geração de empregos, da qualificação profissional e da atração de novos investimentos.
A proposta considera que a mineração, embora seja uma das principais atividades econômicas do território, depende de recursos naturais finitos. Por isso, o planejamento busca criar alternativas capazes de sustentar a economia regional no longo prazo.
Nesse contexto, o turismo aparece como uma das principais oportunidades, especialmente por envolver diferentes setores, como hotelaria, gastronomia, comércio, transporte, agricultura familiar e prestação de serviços.
Rota turística pretende integrar cinco municípios
Um dos principais projetos apresentados durante o encontro foi a criação de uma rota turística integrada entre Alto Horizonte, Uruaçu, Mara Rosa, Nova Iguaçu de Goiás e Campinorte.
A proposta é organizar os atrativos naturais, religiosos, culturais, gastronômicos e rurais já existentes, transformando-os em experiências turísticas conectadas, capazes de estimular a permanência dos visitantes e ampliar a circulação de recursos financeiros nos municípios.
Entre os potenciais identificados estão o Lago Serra da Mesa, o turismo religioso ligado à Romaria de Nossa Senhora d’Abadia do Muquém, a produção de açafrão em Mara Rosa, as paisagens do Cerrado, os eventos tradicionais e as experiências relacionadas à vida no campo.
O estudo aponta que a região já recebe turistas, mas ainda possui espaço para ampliar os ganhos econômicos com essa atividade.
Na Região Turística Vale da Serra da Mesa, os visitantes permanecem, em média, 4,4 dias e gastam aproximadamente R$ 124 por dia, enquanto a média estadual chega a R$ 217.
A estratégia é aumentar o consumo de produtos e serviços locais, incentivando os visitantes a conhecer mais atrativos, frequentar restaurantes, utilizar hospedagens e adquirir produtos regionais.
Segundo o diagnóstico técnico, aproximar o gasto diário do turista da média estadual poderia elevar significativamente a receita movimentada pelo setor, mesmo sem aumentar o número de visitantes.
Planejamento prevê implantação da rota turística até 2029
Para que a proposta saia do papel, o estudo estabelece um plano de trabalho dividido em seis fases, com ações previstas entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2029.
A primeira etapa envolve a apresentação dos projetos, articulação institucional, busca de financiamento e mobilização das prefeituras e empresários.
Em 2027, o planejamento prevê o levantamento e a organização dos atrativos turísticos, a estruturação dos conselhos municipais de turismo, a elaboração de projetos e a criação de uma identidade regional para a rota.
Já em 2028, a expectativa é avançar na implantação das ações pelos responsáveis, incluindo melhorias na infraestrutura e na oferta de serviços. O planejamento também considera a necessidade de preservar a continuidade do projeto durante o período eleitoral.
O primeiro semestre de 2029 está reservado para a repactuação entre os parceiros e o lançamento da rota, com a transferência de sua condução à governança local.
O estudo estabelece seis áreas fundamentais para o funcionamento da iniciativa: organização dos atrativos, infraestrutura e acessibilidade, serviços turísticos, qualificação profissional, governança e divulgação comercial.
Os investimentos deverão ser buscados por diferentes mecanismos, incluindo editais públicos, emendas parlamentares, linhas de crédito para empreendedores, programas de capacitação e parcerias com o setor privado.
O Celeiro Cerrado terá o papel de estruturar projetos, articular instituições e acompanhar resultados, enquanto a execução das ações dependerá das prefeituras, empresários, comunidades e demais parceiros envolvidos.
Estudo apresenta quatro possíveis futuros para o Norte de Goiás até 2036
Além da proposta turística, o encontro apresentou os Cenários Prospectivos 2026–2036, estudo que analisa como a economia regional poderá se comportar ao longo da próxima década.
O documento trabalha com quatro possibilidades, construídas a partir da capacidade de cooperação entre os municípios e das condições do mercado e dos investimentos.
O cenário denominado “O Estradão” representa uma situação favorável, na qual a união dos municípios e o bom desempenho econômico permitem transformar a riqueza mineral em novas atividades produtivas.
Já “A Vereda” considera um ambiente econômico mais difícil, mas no qual a cooperação regional consegue manter oportunidades de desenvolvimento.
O terceiro cenário, chamado “Foi Só um Verão”, alerta para o risco de a região continuar recebendo receitas elevadas da mineração sem conseguir construir uma economia diversificada.
Por fim, “Estiagem Prolongada” apresenta a situação mais desafiadora, marcada pela redução das receitas minerais, dificuldades econômicas e falta de articulação entre os municípios.
Esses cenários não são previsões definitivas, mas instrumentos de planejamento que permitem aos gestores avaliar riscos, estabelecer prioridades e tomar decisões antecipadamente.
A análise considera especialmente o período entre 2026 e 2032 como uma janela estratégica para aproveitar a arrecadação e a capacidade de investimento geradas pela mineração.
O estudo também propõe o acompanhamento de indicadores econômicos e institucionais, permitindo identificar mudanças no cenário regional e adaptar as estratégias conforme a necessidade.
Integração regional será fundamental para o sucesso da iniciativa
A presença de gestores e representantes dos cinco municípios no encontro realizado em Alto Horizonte demonstra a importância da articulação regional para o avanço das propostas.
A iniciativa parte do entendimento de que, trabalhando de maneira integrada, os municípios poderão ampliar sua capacidade de captar recursos, atrair investimentos e desenvolver atividades econômicas que dificilmente alcançariam a mesma dimensão de forma isolada.
Além do turismo, o Celeiro Cerrado também trabalha com projetos voltados ao desenvolvimento agropecuário, infraestrutura sustentável, economia circular e reciclagem, buscando ampliar as oportunidades para a população.
O desafio agora será transformar os estudos técnicos e as propostas apresentadas em compromissos institucionais, projetos financiados e ações concretas nos municípios.
Para Alto Horizonte, que possui uma economia fortemente ligada à mineração, a iniciativa representa uma oportunidade de aproveitar o atual momento econômico para construir novas alternativas de geração de emprego e renda.


